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  • Lançamento do VI Festival Geia de Literatura
    Geia: luzeiro no meio das trevas

    Ubiratan Teixeira, publicado no jornal O Estado do Maranhão, edição de 29/01/2010.

    Considero-me uma testemunha privilegiada do efeito de lapidação que o Festival Geia de Literatura vem produzindo na comunidade ribamarense nestes seis anos de sua realização naquele município. Participo desde sua primeira edição em 2004 e sei do que falo.

    Alias, conheço aquela comunidade o bastante para confirmar o efeito geia sem medo de estar me equivocando. Afinal, não cheguei ali com o projeto, convivendo como convivo com seu povo e sua cultura para mais de três quartos de século. Afinal, São José de Ribamar foi a cidade balneária preferida pela classe média de São Luis por volta dos anos 40 para suas férias escolares de meio de ano foi onde passei minha inesquecível “lua de mel” e outras luas menos comportadas de saudáveis encharcamentos etílicos de fins de semana em companhia de Amaral Raposo, Walbert Pinheiro, Victor Gonçalves Neto, Deo Silva, Nauro Machado, tripa e outros bebuns ilustres.

    Hoje não me recordo mais o nome daqueles líricos pescadores que iam “buscar” o peixe na risca, mas ficou a memória os adoráveis sabores: intrépidos e audazes homens do mar, parentes das sereias e dos tritões é como os via envoltos por uma aura poética.

    Alguém arrisca a qualificação de rústica e elementar para uma comunidade que vivia em torno de pesca, para a pesca e pela pesca?

    Recordo-me que por volta dos anos 70 os alunos de Ribamar matriculados no Centro Educacional do Maranhão, CEMA, irritavam os coordenadores aqui da capital quando iam avaliar os trabalhos de pintura e redação apresentados nas Feiras de Arte anuais: “Será que esses meninos não conheçam outra coisa, além disso? Indagavam para mim com olhos desesperados” É só barco, peixe e mar, olhe só!”

    Então eu olhava pachorrentamente e comentava: “professora Celeste! Me diga qual é o dia-a-dia dessas crianças?”

    E dávamos o prêmio ao melhor igarité, ao melhor peixe, à mais criativa das marinhas.

    São José de Ribamar sem ter perdido sua aura de centro de devoção católica sob as bênçãos do taumaturgo acrescentou às manifestações milagreiras a melhor referencia nacional de administração pública; juntou o bom ao saudável aceitando de braços abertos esse tempero de excelência na figura do Instituto Geia.

    Jorge Murad foi iluminado quando levou seu projeto para aquele sítio. Apesar do assédio constante do forasteiro o Homem de Ribamar insistia em permanecer na sua concha, olhando de esguelha o visitante, murmurado seus achaques entre si – os tupinambás daquela ponta da ilha sempre foram reservados nos seus rituais de antropofagia, é genética sua discreção. “Sim, senhor”, “não senhor” era o máximo que o visitante conseguia de um nativo.

    Ainda me recordo dos olhares desconfiados, dos cochichos, dos sim e dos nãos categóricos, dos sei ou não sei berloques quando do meu primeiro encontro em 2004 na Unidade Escolar Diomedes da Silva Pereira; e de como já foi excepcionalmente participante anos passado e da maneira exuberante como dois alunos de Liceu reagiram quando fui levar quarta feira passada, depois da solenidade de instalação do Festival deste ano meu ultimo romance e um exemplar do Dicionário de Teatro para a Biblioteca deles.

     - Ô Cara! Chegou na hora! É do que a gente estava precisando, comentou alegremente um para o outro.

     Foi recompensador. É recompensador. É aquela mesma sensação de vitória que explode no coração de um avô, quando escuta o neto falando em línguas.

     Mesmo que o Instituto Geia não tivesse participado da vida cultural do país lançando as obras de nível que tem lançado do forma magistral, bastaria o Festival Geia de Literatura promovido a seis anos na cidade de São José de Ribamar, para justificar seus 10 anos de ação cultural.

     Sinto-me gente e útil participando de um projeto dessa dimensão: principalmente em São José de Ribamar no nível social e cultural em que a velha aldeia se encontra.

    VI Festival Geia de Literatura

    Este ano, a II Gincana Geia do Conhecimento terá duas novas atrações: além do II Desafio de Literatura, em parceria com a Faculdade Atenas Maranhense – FAMA, vamos realizar a I Olimpíada de Matemática, com a colaboração da Faculdade Pitágoras, e o I Concurso Professor Pesquisador – Prêmio Jomar Moraes. A festa de lançamento do VI Festival Geia de Literatura ocorrerá no dia 27 de janeiro, às 16h, no Liceu Ribamarense, em São José de Ribamar. Mais detalhes no link Festival Geia 2010.

    Festival Geia de Literatura – 5 anos de sucesso
    Humberto de Campos

    Lançamento do livro Memórias e Memórias Inacabadas, de Humberto de Campos, dia 28 de agosto de 2009, na Feira de Livros do Festival Geia de Literatura, em São José de Ribamar.

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