• Destaques
  • Festival GEIA de Literatura
  • Projetos
  • Publicações
  • Artigos e Textos
  • Mídia Institucional
  • Seja Voluntário
  • Contato
  • Chão do tempo

    APRESENTAÇÃO

    Sebastião Moreira Duarte

    O Maranhão é berço de poetas. Antônio Martins é um deles. O que não significa que, com ele, temos apenas um poeta a mais. Basta abrir essas páginas e passar a vista sobre os poemas aqui reunidos, para tomarmos consciência que estamos adiante de um novo poeta, não de um poeta novo.

    Na verdade, o autor deste livro é um provecto experimentador da Língua, filólogo de nome internacional e ensaísta de respeitada contribuição à bibliografia crítica da Literatura Brasileira.

    Nem por isso, entretanto, este seu Chão do tempo terá deixado de surpreender a quem conhecia Antônio Martins somente como mestre de mestres em instituições de ensino de diversos níveis, através do Brasil. Surpresa, bem entendido, pela nova que faceta que o Autor revela de lutador palavras, pois longe estamos de um iniciante da expressão poética, em qualquer dos aspectos que a constituam. Muito ao contrário: esta obra enfeixa mais de meio século de corpo-a-corpo com o verso, segundo se comprova pela datação que aparece em alguns poemas. E isso, se já de per si vale como uma lição a apressados versejadores adolescentes, serve, mais que tudo, como uma lição de disciplina que Antônio Martins tem exigido de si mesmo, por anos, no trato da poesia, revelada, por exemplo, em seu longo tirocínio com os haicais, ou no domínio de sua própria dicção.

    A tal surpresa, da primeira tiragem, acrescente-se, na edição de agora, o fato de este conjunto de poemas oferecer-se traduzido em idiomas variados, que vão a nada menos que treze. O insólito cometimento pode garantir-se genuinamente maranhense, se nos lembrar-mos da famosa Anthologie universelle, publicada por Gomes de Sousa na Alemanha, em 1859, e que reunia ‘’poesias líricas’’em 17 idiomas.

    Além disso, esta não é apenas uma segunda, mas uma nova edição de Chão do tempo, á qual, além de alguns poemas inéditos, soma-se o ordenamento diferente em confronto com a criação original.

    O Autor afirma, com esta nova publicação, que pretende ‘’estabelecer um dialogo com os irmãos de boa vontade vindos de outras plagas para este velho e amado Maranhão [...,] que deixaram os pátrios lares e para cá vieram trabalhar, educar, catequizar…’’.

    De fato, porém, seu livro se abre a todos os fusos da rosa-dos-ventos, aberto aos ouvidos de quantos, em qualquer horizonte, se disponham a ouvir, de Antônio Martins, seu ‘’dom de toar’’, tanto quanto receber seu ‘’tom de doar’’.

    SUMÁRIO

    Oferecimento

    Os melhores momentos, por Gilberto Mendonça Teles

    EXERCÍCIO

    Ilustração (Exercício)

    Invocação – Invocation

    Subindo o rio-Up the river –Fluss aufwârts

    Versos brancos –Blank verses

    Ilustração (versos brancos)

    CHÃO

    HAIKAIS DO CHÃO

    São Luís do Maranhão – SÃO LUIZ DO MARANHÃO

    Ilustração (Da manhã)

    Da manhã –ASA

    Do asfalto –ASUFARUTO

    Do caminho – MICHI

    Do arrufo ontem á noite –YUBE NO FUTARI NO KENKA

    Do carro correndo com os faróis acesos sobre os trilhos molhados RAITO O TSUKETA KURUMA GA NURETA DORO O HASHIRU

    Da lua cheia subindo – MANGETSU NO NOBORU TOKI

    Da ilha e o rio – MARANHAO TO RIO

    Das pontes – HASHI

    Viagem – Nagoya – Japão – Sonhos-postais – Vazio

    Equador –Universidade

    Canção do Exílio

    TEMPO

    HAIKAIS DO TEMPO

    Do tempo –JIKAN

    Noturno para Fritz Kahn –FRITZ KHAN NI SASAGERU YASÕKYOKU

    Da lua-nova –SHINGETSU

    Do parado tempo –TOMATTE SHIMATTA JIKAN

    Trem bala – I –Trem bala – II

    Do tempo e eu –TOKI TO WATASHI

    Variações sobre as três partes do dia e alguns acessórios

    Variations on the three parts of the day and some acessories

    Historiazinha da estrela e o vaga-lume –Little story of the star and the firefly

    Dilema –Dilemma (ingles) –Dilemma (alemão)

    Ilustração (Loazinha)

    Moto-imoto & Loazinha para as árvores desfolhadas

    Moto-imoto & Little praise to the leafless trees

    Praça do Ribeirão –Plaza del Ribeirão

    Ilustração (Praça do Ribeirão)

    AS RAÍZES

    Ó Darwin –Oh Darwin

    Epístola para a que se foi primeiro

    Epistle to the one that left first

    Sermão para o velho semeador

    Tia to gero sporia

    Ilustração (Canto da simultânea transmutação)

    Canto da simultânea transmutação –Song of the simultaneous transmutation

    Elegia para a outra – Elegeia gia thn allh

    O ESPELHO

    HAIKAIS DO ESPELHO

    Do urubu –HAGETAKA

    Dos teus olhos azuis –ANATA NO AOI HITOMI

    Da montanha Russa –MONTANHA RUSSA DÕI

    Dos grãos –TANE

    Manifesto –Provérbio –I –Provérbio II

    Dos olhos na tarde –Ocaso – Transcendência – I

    Variação sobre o azul –Variations on the blue – A kékrol

    Elegia & Ilussonho – Elegy & Ilusion-dream

    Metafísica – Methaphisics

    Ilustração (Filosofia)

    Filosofia –Philosophy – Filozofia

    Saudade século XX –Twentieth Century missing

    TOKA XX BEKA –Vágyakozás a XXszázad után

    Luar no caminho –Moonligth on the way

    Cantinela da dersimandade –Ditty of non-fraternity

    Estórias de mim para mim – Story from me to myself

    Canção de não querer existir

    Song of the no-desire to live

    Verde alegoria para os meus olhos falsamente verdes durante um minuto

    Ilustração (Verde alegoria)

    Green allegory for my eyes untruly green for one minute

    Sono –Sleep

    O trajeto do alpinista

    Ilustração (O trajeto do alpinista)

    Lê parcours de l’alpiniste

    A OUTRA

    HAIKAIS DA OUTRA

    Do até-logo –WAKARE

    Do piscar dos teus olhos UINKU

    Do quarto-minguante – MIKAZUKI

    Das mãos espalmadas de uma noiva – HANAOYME NO NAMERAKA NA TE

    Para teu vestido –ANATA NO DORESU NI SASAGETE

    Dos olhos na tarde – GOGO NO ANATA NO HITOMI

    Da invenção da moça-longe –TÕI-OTOME NO SÕZÕ

    Tu & Litania (em português)

    Tu & Litania (em italiano)

    Poema pr’os teus cabelos cortados – Poema per i tuoi capelli tagliati

    Poema do que não foste, poema do que tu és

    Poema de quello che tu non sei stata (…)

    Praia de um dia

    Ilustração (Praia de um dia)

    Plage d’um jour

    A queda –Trad. Em chinês

    O elo –Le lien

    Canto da semente –Chant de la graine

    Na noite –Dans la nuit

    Poema da fuga

    Ilustração (Poema da fuga)

    Poema de la fuite

    Retrato –Portrait – Ritraio

    Soneto á antiga

    O OUTRO

    HAIKAIS DO OUTRO

    Dos dois amigos – FUTARI NO TOMODACHI

    Do Luluco –‘’LULUCO’’

    Do chão –JIMEN

    Do hipocampo –TATSU NO OTOSHIGO

    Da cópula – KÕSETSU

    Entendimento –Retorno – Transcendência –II – Felicidade

    Descobrimento do Outro – La découverde de l’Autre – In cerca dell’altro

    IKTICHAFU –L-GHAIRI

    Receita para viver –Massine del vivere –Recette pour vivre

    A lua não foi á praia –La lune n’est pás allée á plage – La luna

    Non è andata al maré JIYHA HE IIPHIIIJIA HÁ B3MOPbE

    Padeiro – Panettiere

    Caminho

    Ilustração (Caminho)

    Sentiero

    Poema de saudade e pena para o túnel da ‘’Estrada de Ferro São Luís – Teresina’’

    Poema de nostalgia e pena al túnel della ‘’Estrada de Ferro São Luís – Teresina

    Solidariedade

    Ilustração (Solidariedade)

    Solidarnosé

    Diálogo entre a busca Dor dos cinco sentidos e o andarilho de Deus

    Dialoog tussen de jager op verdriet em de zwerver van God

    Diálogo

    O autor

    O prefaciador

    O ilustrador

    A ilustradora

    Os tradutores

    PREFÁCIO

    A poesia de Antônio Martins, neste Cão do tempo, é bem a confirmação das palavras de Shelley, na sua Defense of poetry, quando, respondendo a seu amigo Thomas Love Peacock, que no início do século XIX havia chegado á conclusão de que ‘’o poeta de agora é um semibárbaro, vivendo numa sociedade civilizada’’, escreve que ‘’a poesia é o registro dos melhores e mais felizes momentos dos melhores e mais felizes espíritos’’.

    É claro que os teóricos de hoje torceriam o nariz diante dessa idéia de a poesia ser o ‘’registro’’ de alguma coisa. Diriam que a poesia não registra coisa alguma e, de maneira superior, ensinariam que a poesia é linguagem, termo que, de resto, é na atualidade uma espécie de panacéia, um daqueles ‘’catalições’’ que a sátira menipéia do Renascimento francês dizia ser o elixir para todos os males… Diriam ainda que se há algum tipo de registro, isso é da ordem do poema e não da poesia. Enfim, nos falariam em mimese, catarse, estética da recepção, o diabo-a-quatro. E, tal como o tal Peacock do século passado (e talvez de todos os tempos, desde Platão), denunciaram a falta de função social para a poesia, chegando mesmo a proclamar a sua morte.

    Depois de escrever o que está acima, comecei a me perguntar se valia mesmo a pena a distinção entre poema e poesia. Será que o leitor, ao tomar um termo pelo outro, não estaria mais sabiamente fazendo o que a poesia faz, isto é, operando uma redução, ‘’somando’’ as divergências e procurando, um menor esforço, uma expressão que, por ser direta, falaria mais concretamente e, por isso mesmo, com maior possibilidade de lhe tocar a fantasia e todo o seu potencial de imaginário? Neste sentido, por que não ver a poesia como uma forma especial de registrar certos fatos e acontecimentos que mais nos tocaram e que continuam em nós, nos limbos da memória, perdendo-se como na maioria dos homens ou então, através da linguagem, transformando-se em nova fonte de prazer? Um prazer ate certo ponto pessoal, intransferível; mas também coletivo, desde que, o poema /a poesia artisticamente organizado / (a), passa a produzir significados e a despertar prazer pela vida em fora.

    Vejo por tanto a poesia com os mesmos olhos românticos desse Shelley inquieto revolucionário que a sentia congênita ao homem, como se cada um de nós tivesse na alma uma harpa eólica que as impressões internas e externas fizessem ‘’vibrar numa melodia sempre vária’’. Aí está a poesia no romantismo não é só ‘’expressão’’, como ensinam os críticos; é também ‘’impressão’’, forma de captar o exterior e de prepara-lo emocionalmente, de deixa-lo em estado de poesia, para ser ar / rumado numa linguagem adequada, aparentemente não trabalhada, como nos famosos versos de Álvares Azevedo: ‘’Se a estátua não saiu como pretendo, /quebrou-a: mas nunca o seu metal emendo ‘’.

    O fato de ser linguagem, de ser uma manifestação especial da língua, não tira da poesia a sua natureza de apontar diretamente para as coisas acontecimentos, apesar dos versos irônicos de Drummond: ‘’Não faça versos sobre acontecimentos’’. O seu lado lingüístico contém a mesma parcela de real que está nas palavras do dicionário; e é sobre esse real que o poeta investe as suas economias emocionais, bem como o seu labor de melhor investimento. E, querendo ou não os teóricos, a poesia acaba por registrar, se não a continuidade lógica de um todo, pelo menos a descontinuidade analógica desse todo fraccionado. É por aí que o eterno retorno dos mitos: Orfeu despedaçado pela fiaria das mulheres da Trácia; Osíres com o corpo repartido pelas margens do Nilo; e, do alto, o olhar amoroso capaz de juntar, na leitura, as palavras-chave dispersas no poema.

    O livro do professor Antônio Martins nos dá, de inicio, a imagem dessa atualização mítica: os seus poemas estão ‘’despedaçados’’ por quatorze línguas: alemão, árabe, chinês, espanhol, francês, grego moderno, holandês, húngaro, inglês, italiano, japonês, polonês e russo, alem, é claro, do português. Não creio que tenha havido uma preocupação de adequadação estrutural entre o poema e sua tradução, tanto que não há uniformidade nas traduções, ou seja, os poemas não são todos traduzidos nas mesmas línguas. Talvez por isso, pela falta dessa padronização geral, é que o livro ganha um ritmo visual que, auxiliado pelas ilustrações de J. L. Benício e Norma Sueli, põe o leitor em contato com uma nova e gradativa ordem de leitura poética. É que o verbal do alfabeto latino encontra, primeiramente, a sua correspondência no verbal anglo-germânico; depois, no verbal de outros alfabetos, como o grego, e o russo; e finalmente, a correspondência passa ao domínio do semiológico, sobretudo em face da escrita e vai-se deter, com mais tranqüilidade, nas margens do papel em que escrevem os signos originais, os da língua portuguesa, percebida então, pelo menos nesse Chão do tempo, como uma espécie de ursprach de onde se desdobraram em traduções as principais línguas do universo.

    E é por aí, por essa penúltima flor do Lácio, que nos interessa comentar a poesia de Antônio Martins. Elogiar o titulo do seu livro, as partes que o compõem, a diversidade das formas poemáticas, o simbolismo especular dos poemas A Outra /O Outro, a tentativa de fusão épica e lírica (cf. o poema Invocação, no início), a escolha de temas cotidianos ligados à sua infância na cidade de São Luís, a ironia humorística de alguns poemas, a sua luta com os versos livres e às vezes metrificados, a sua dicção de professor de língua portuguesa e sua grande paixão pelos haicais. Antônio Martins não seguiu a moda brasileira, creio que inaugura por Guilherme de Almeida, de pôr rimas nos haicais, o que vem mobilizando milhares de poetas brasileiros que não se dão conta de que a arte não está em fazer rimar, mas em conseguir a rima adequada e semanticamente eficaz. O autor de Chão do tempo preferiu fugir às rimas que, na verdade, nem existem na poesia japonesa, e com isto construiu momentos belíssimos de poesia, falando do tempo ou, metonimicamente, tratando de maneira epigramática os acontecimentos em processo de transformação, de modo que, no fundo, a pátina do tempo parece sobrepor-se e adquirir maior densidade e poesia.

    Um poema, por exemplo, como Subindo o rio, que parece em inglês e alemão, se não é um haicai, tem todavia a beleza da brevidade e filosofia da redução: o mundo ou uma visão do mundo de repente se reduz a uma simples imagem, numa carga poética que se tem muito de romantismo tem também a marca da poesia de todos os tempos:

    Paralelas convergentes,

    as duas linhas dos lados

    vão-se chegando uma á outra

    e fugindo dos meus olhos

    até serem no milagre

    de uma gota d’água apenas.

    Ás vezes, em vez da ênfase no processo redutor, o que se tem á a descrição de algumas reminiscências, mas de tal maneira organizadas e estilisticamente conduzidas, que o leitor de deixa também envolver pela alvura das vogais tônicas, a combinar com as imagens lustrais das lavadeiras, como na segunda estrofe do poema Praça do Ribeirão:

    Lavadeiras lesco-lescam

    suas roupas e suas mágoas

    nas tuas águas lustrais:

    as chicotadas molhadas

    abafam por entre as águas

    o som das mágoas lavadas.

    O lado sentimental da poesia de Antônio Martins é um dos pontos altos de seu livro. Não se trata, entretanto, de um sentimentalismo fácil ou literariamente repetitivo. É algo autêntico, vivenciado, arrancado da memória, do ‘’chão do tempo’’, de toda uma experiência que é somente sua, embora possua o dom de contaminar o leitor, de arrastá-lo na direção do que também poderia ter sido e que não foi. O poema Epístola para a que se foi primeiro é um desses poemas sentimentais, era forma de monólogo anafórico, em que o sujeito lírico tenta em vão apreender o instante de dizer alguma coisa já impossível de ser dita. Daí o pathos, o seqüestro do leitor, a consciência de uma filosofia um tanto niilista, apoiada em antíteses, como no poema Filosofia:

    Antes de tudo,

    tenho certeza

    de que não tenho certeza

    de nada.

    Depois de tudo,

    tenho certeza

    de que só tenho certeza

    do nada.

    O que é na verdade excelente é quando o poeta constrói o seu poema dentro de um clima de ironia, utilizando jogos de palavras, como na ‘’Estória de mim pra mim’’, de tons bandeirianos, mas autêntico na sua dicção martiniana:

    ‘’Era uma vez, outro dia,

    um Pierrô assim-assim;

    mas havia uma janela

    por detrás de um Arlequim.

    Logo no início da estória

    (como tudo tem seu fim),

    a Colomnia optou

    pelo pêlo do Arlequim’’.

    Conto essa estória a mim mesmo

    e penso em meu bandolim.

    E rio, e rio, e ainda rio

    do rio que corre em mim.

    Aqui o popular atinge o seu máximo desempenho a serviço do literário, os elementos das formas simples se atualizam numa linguagem poética de admirável expressão.

    Mas o que chama logo a atenção na poesia de Antônio Martins é a sua preferência pela forma da poesia japonesa, o haicai. Esse tipo de poema aparece em quatro series do Chão do tempo, obedecendo rigorosamente ás dezessete sílabas dispostas em três versos e, o que é mais importante, obedecendo á sugestão de tempo, de atmosfera e de ambiência cotidiana que caracteriza a forma na literatura japonesa. Falando sobre a lua cheia, a imagem que se recorta tem também muito de reminiscência e presentificação: ‘’Quem foi que bateu / esta gema de ovo fresco / neste prato azul?’’. Noutro poema é a imagem do urubu que serve para inserir a noção de tempo (de eternidade):

    Todo contra o azul,

    o urubu desenha um ponto-

    de-interrogação.

    A imagem se torna dinâmica e muito mais eficiente levando-se em conta o artifício retórico muito bem logrado do estrangulamento da expressão. E veja-se como se reveste de ‘’beleza metalingüística’’ a imagem sobre o hipocampo:

    Chifrudo parágrafo,

    vais concluindo períodos

    esparsos no mar.

    O gosto pelo haicai é tão forte nesse livro que chega a parecer um haicai geminado, quer dizer, o próprio título vem em forma de haicai e se encontra acoplado com o poema propriamente dito. Mas o curioso é que o sentido do título passa para o do poema, tal como a luz dos faróis de que ele falam:

    Do carro correndo

    com os faróis acesos sobre

    os trilhos molhados

    Eis dois alfinetes

    com as cabeças bem redondas

    feitas fluorescência.

    Estes alguns pontos que fomos anotando sobre o Chão de tempo, de Antônio Martins. Tentando captar a voz do poeta, nos debruçamos sobre alguns momentos registrados pela sua poesia. Com o ouvido no chão, o que mais escutamos foram as batidas de um coração carregado de amor por sua terra, pelas gentes e coisas desse Maranhão tão cheio de tradição e poesia.

    

    Comente! »

    Nenhum comentário ainda.

    Feed RSS dos comentários deste post URL de TrackBack

    Deixe um comentário