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  • Regina Echeverria

     Regina Echeverria, jornalista (Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Veja…) e escritora (Cazuza, só as mães são felizes; Cazuza, preciso dizer que te amo; Pierre Verger, um retrato em preto e branco; Furacão Elis; Gonzaguinha e Gonzagão, uma história brasileira; Mãe Menininha do Gantois, uma biografia), escreve aos participantes da I Gincana Geia do Conhecimento. 

     Gonçalves Dias e Viriato Corrêa 

    A vida imita a arte, ou a arte imita a vida? Quando os estudantes de São José de Ribamar se debruçarem sobre a poesia de Gonçalves Dias e o livro Cazuza, de Viriato Corrêa, certamente descobrirão que a obra destes dois criadores maranhenses está diretamente ligada à trajetória de vida de cada um. Gonçalves Dias nasceu nos arredores de Caxias, em 1823, filho de um comerciante português branco com uma maranhense de pele escura. Era um “mestiço” a vencer os preconceitos do século 19. Escreveu o mais famoso poema brasileiro em Portugal, onde estudava, aos 20 anos, ao expor, rasgando o peito, os seus sentimentos: Minha terra tem palmeiras/onde canta o sabiá/as aves que aqui gorjeiam/não gorjeiam como lá. Chamou o poema de Canção do Exílio. Toda a sua obra é autobiográfica e ele foi a melhor caricatura dos antigos poetas românticos – um homem triste, rejeitado pelo grande amor por sua origem genética e tuberculoso. Escreveu toda a sua obra até os 31 anos e morreu dez anos depois, em 1864, a bordo do navio Ville de Boulogne, que naufragou nas costas do Maranhão. Gonçalves Dias foi a única vitima do acidente, pois foi esquecido em seu camarote, convalescendo dos tratamentos contra a tuberculose que havia feito na Europa.

    Já Viriato Correa, nascido em 1884, na cidade de Pirapemas, deixou cedo a cidade natal para estudar em São Luís e, depois, em Recife. Viveu no Rio de Janeiro, onde tornou-se jornalista, crítico teatral e freqüentador da boemia carioca que marcou a intelectualidade brasileira no começo do século 20. Entrou para a política e foi eleito deputado estadual em 1911 e federal em 1927. Preso na Revolução de 30, de Getúlio Vargas, afastou-se da vida pública e se dedicou totalmente à literatura e a escrever peças de teatro – perto de 30. Seu mais conhecido romance foi publicado em 1938, em que o protagonista Cazuza conta suas terríveis experiências escolares com um professor autoritário em seu povoado natal até os dias de colégio na capital, São Luís. Viriato nos mostra, com toda a graça, como funcionavam as escolas no início do século 20, onde os alunos apenas ouviam a voz do professor, exercendo um poder tão absoluto quanto perverso, já que praticavam o temido “bolo”, castigo físico para quem não aprendesse as lições.

    Tudo mudou e hoje os estudantes de São José de Ribamar terão a oportunidade de aprender com a vida e a obra destes dois literatos maranhenses que, através da poesia ou da prosa, é possível contar a história de seu tempo.

    

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