Artigo do Prof. Joaquim Gomes, Mestre em Teoria Literária e escritor, publicado em OEMA, edição de 28/08/2009.
É grande o número de livros e textos em revistas especializadas que tratam da questão da leitura. Nos cursos de Letras, os trabalhos de conclusão de curso têm atingido um número considerável de pesquisas nessa área. A leitura tem sido uma preocupação para os governos.
Hoje já não perdura mais a idéia de uma leitura que não seja significativa, mas, sim, aquela que faz com que o leitor reflita, dialogue com o que está sendo vislumbrado. Entretanto, o “calcanhar de Aquiles” parece ser como fazer com que os alunos leiam. Inúmeras são as razões que justificam a ausência de leitura. Mesmo assim, a sociedade não pode se curvar diante dessa constatação.
Para muitos, a escola, principalmente em função do espaço deixado pela família, passou a ser a responsável por essa tarefa de apresentar a leitura para seus alunos e torná-los um leitor eficiente.
Por outro lado, os festivais de literatura, feiras de livro e diversos movimentos culturais têm contribuído para a inserção de novos leitores nesse mundo mágico e prazeroso que é a leitura.
A Festa Literária de Parati, no estado do Rio de Janeiro, proporciona, para uma clientela muito jovem, uma espécie de ‘festa’ paralela para esse público, com o objetivo claro de envolvê-los no mundo da escrita.
Aqui, no Maranhão, o Festival Geia de Literatura, promovido pelo Instituto Geia, em parceria com a Prefeitura Municipal de São José de Ribamar, já entrou na sua quinta edição, em que a presença maciça de alunos de toda a rede escolar municipal – do ensino fundamental ao médio – participa das palestras, oficinas e, agora, mais do que nunca, com a Gincana Geia do Conhecimento, coloca esses alunos em contato direto com a leitura, ao selecionar como tema gerador os autores Gonçalves Dias e Viriato Correia.
Mas o que desejo destacar é a presença do Festival Geia nesse cenário, como responsável pelo incentivo à leitura e por produzir valiosos comportamentos em sala de aula. Uma pesquisa monográfica feita por alunos do curso de Letras da Faculdade Atenas Maranhense registrou o papel significativo do Festival na formação de leitores. As pesquisadoras, Luciana Rodrigues Melo, Marina Lucia Silva Bezerra e Nalva Maria Rosa da Silva, sob a orientação da professora Natércia Moraes Garrido, identificaram, por meio de questionários e entrevistas com alunos, professores e diretores de escola, que o Festival tem sido um aliado no processo de construção de novos leitores. Os dados analisados pelas pesquisadoras deixam clara a satisfação desses alunos com o Festival e reconhecem que muitos mudaram de atitude após terem participado do evento. Ainda nesse aspecto, os alunos entrevistados responderam que as palestras com os escritores, as oficinas e o simples “manuseio” de livros nas bancas expositoras contribuíram, de forma contundente, para o interesse na sala de aula, tornando-os mais criativos e responsáveis pela sua própria caminhada escolar.
Diante dessa constatação, aproveito a oportunidade para expressar a minha satisfação com o Festival Geia e citar Afrânio Coutinho, quando diz: “A literatura é o sorriso da sociedade”. Que empreendimentos dessa natureza se propaguem em todo o território brasileiro.
E-mail: quinchas@yahoo.com.br
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