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	<title>Instituto GEIA &#187; Outras Publicações</title>
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	<description>Instituição sem fins lucrativos, fundada por empresas que atuam no Maranhão</description>
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		<title>São Luís, Alma e História</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Nov 2008 19:33:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>celso</dc:creator>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<description><![CDATA[APRESENTAÇÃO
FOTOGRAFIA E MEMÓRIA, José Chagas
Se é verdade que a fotografia diz muito mais que as palavras, temos então aqui São Luís revelada e, por assim dizer, narrada aos nossos olhos, graças ao silêncio expressivo destas fotos captadas pelas lentes e, sobretudo, pelo iluminado talento de Albani Ramos.
A panorâmica configuração da cidade apanhada, primeiro, em todo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>APRESENTAÇÃO</p>
<p>FOTOGRAFIA E MEMÓRIA, José Chagas</p>
<p align="justify"><img style="margin: 5px;" src="http://geia.org.br/UserFiles/Image/Fotos/capa-livro-albani-destaq.gif" alt="" width="200" height="277" align="right" />Se é verdade que a fotografia diz muito mais que as palavras, temos então aqui São Luís revelada e, por assim dizer, narrada aos nossos olhos, graças ao silêncio expressivo destas fotos captadas pelas lentes e, sobretudo, pelo iluminado talento de Albani Ramos.</p>
<p>A panorâmica configuração da cidade apanhada, primeiro, em todo seu contexto estético e, particularmente, na suntuosidade de cada monumento histórico, como a destacar cuidadosamente as principais relíquias de nosso acervo patrimonial, comprova aqui o objetivo desse excelente fotógrafo, de não só nos dar uma exata visão material da urbe em seu esplendor, como a de nos fazer sentir toda a poesia que irrompe fulgurantemente de sua compleição arquitetônica.</p>
<p>As fotos de Albani falam por entre imagens e luzes e cores. Tanto que não quero interferir com minhas palavras, mesmo porque é de todo desnecessário dizer que São Luís não é uma cidade como outra qualquer.</p>
<p>Olhem estas fotos e constatem e, sobretudo, as escutem. Cumpre atentar para o fato de que elas não só falam por si mesmas, como não vêm apenas para um simples efeito de deslumbramento ou encanto. Elas também gritam contra a nossa cotidiana indiferença a essa riqueza arquitetônica, única em sua grandiosidade e verdadeira em sua permanência como um marco a assimilar feitos de que pode se orgulhar o homem na história da civilização.</p>
<p>É por isto que digo e repito que estas fotos não devem ser apenas vistas, mas também sentidas.</p>
<p>Em relação a São Luís, podemos observar que há em nosso comportamento um hiato, um vazio mesmo, entre o nosso modo de ver a cidade e de senti-la. Aliás, se já não a sentimos, quase já não a vemos. Uma grande maioria até já deu as costas para o centro histórico.</p>
<p>Mas Albani nos aparece como a dizer que é preciso que entre pelos olhos não só a beleza física de São Luís, mas também, pelos olhos – se é que são eles as janelas da alma – penetre o acervo com o seu significado cultural enriquecedor de nossa memória coletiva, assimile-se enfim o patrimônio espiritual que está além das fotos mas a que eles não deixam de aludir, pois são em si mesmas também reflexos do espírito humano.</p>
<p>Entendendo que este livro não tem o propósito puramente documental. Ele é já, sem nenhuma dúvida, um belo monumento em homenagem à monumental cidade dos azulejos, tão graciosa, tão atraente, tão fascinante, mas não muito bem amada, nem sequer muito bem lembrada.</p>
<p>E ante a nossa falta de memória e os constantes desmoronamentos, na urbe, a que, com indiferença, assistimos, há de se imaginar que, no futuro, o patrimônio material poderá ser salvo, quando nada, pela fotografia, mas o patrimônio espiritual quem o salvará? Quem fotografará a alma de um povo?</p>
<p>Creio que este livro é um ponto de partida para que meditemos um pouco, nesse sentido.</p>
<p>Aliás, para isso, podemos contar com os textos elucidativos, aqui primorosamente elaborados por Sebastião Moreira Duarte, que com, a perícia e a argúcia do escritor que ele é, estabeleceu o confronto de palavras e imagens, dando-nos o exemplo de como é possível captar a alma da cidade, assim como olhar e perceber, histórica e culturalmente, ponto por ponto, os aspectos mais significativos de nossa realidade urbana. Cabe-nos, pois, ouvir, ao mesmo tempo, a silenciosa voz das fotos e as esclarecedoras palavras dos fatos.</p>
<p>SUMÁRIO</p>
<p><img src="http://geia.org.br/UserFiles/Image/Fotos/livro-alma-hist2%281%29.gif" alt="" width="200" height="184" align="right" />ILHA E ALMA: A CIDADE</p>
<p>PEDRA DA MEMÓRIA</p>
<p>PRAÇA GONÇALVES DIAS</p>
<p>PRAÇA DA SERESTA</p>
<p>PRAÇA JOÃO LISBOA</p>
<p>PRAÇA BENEDITO LEITE</p>
<p>PRAÇA DEODORO</p>
<p>IGREJA SÉ</p>
<p>IGREJA DO CARMO</p>
<p>IGREJA DE SÃO JOÃO</p>
<p>IGREJA DO DESTERRO</p>
<p>IGREJA DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS</p>
<p>IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS</p>
<p>CONVENTE E IGREJA DE SANTO ANTÔNIO</p>
<p><img src="http://geia.org.br/UserFiles/Image/Fotos/livro-alma-hist9.gif" alt="" width="200" height="148" align="right" />CAPELA E QUINTA DAS LARANJEIRAS</p>
<p>IGREJA DE SÃO PANTALEÃO</p>
<p>IGREJA DE SANTANA</p>
<p>TEATRO ARTUR AZEVEDO</p>
<p>FONTE DO RIBEIRÃO</p>
<p>FONTE DAS PEDRAS</p>
<p>CONVENTO DAS MERCÊS</p>
<p>PALÁCIO CLÓVIS BEVILAQUA</p>
<p>PALÁCIO DE LA RAVARDIÉRE</p>
<p>PALÁCIO DOS LEÕES</p>
<p>SÍTIO PIRANHENGA</p>
<p><img src="http://geia.org.br/UserFiles/Image/Fotos/livro-alma-hist3.gif" alt="" width="200" height="175" align="right" />SÍTIO DO FÍSICO</p>
<p>FÁBRICA CÀNHAMO</p>
<p>A CIDADE DOS AZULEJOS</p>
<p>CRONOLOGIA DA HISTÓRIA DO MARANHÃO</p>
<p>CALENDÁRIO DE FESTAS</p>
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		<title>Chão do tempo</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Nov 2008 19:32:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>celso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outras Publicações]]></category>
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		<category><![CDATA[Festival GEIA]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[APRESENTAÇÃO
Sebastião Moreira Duarte
O Maranhão é berço de poetas. Antônio Martins é um deles. O que não significa que, com ele, temos apenas um poeta a mais. Basta abrir essas páginas e passar a vista sobre os poemas aqui reunidos, para tomarmos consciência que estamos adiante de um novo poeta, não de um poeta novo.
Na verdade, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left">APRESENTAÇÃO</p>
<p align="left">Sebastião Moreira Duarte</p>
<p><img style="margin: 5px;" src="http://www.geia.org.br/UserFiles/Image/Fotos/capa-chao-tempo-publicacoes.gif" alt="" width="190" height="291" align="right" />O Maranhão é berço de poetas. Antônio Martins é um deles. O que não significa que, com ele, temos apenas um poeta a mais. Basta abrir essas páginas e passar a vista sobre os poemas aqui reunidos, para tomarmos consciência que estamos adiante de um novo poeta, não de um poeta novo.</p>
<p>Na verdade, o autor deste livro é um provecto experimentador da Língua, filólogo de nome internacional e ensaísta de respeitada contribuição à bibliografia crítica da Literatura Brasileira.</p>
<p>Nem por isso, entretanto, este seu Chão do tempo terá deixado de surpreender a quem conhecia Antônio Martins somente como mestre de mestres em instituições de ensino de diversos níveis, através do Brasil. Surpresa, bem entendido, pela nova que faceta que o Autor revela de lutador palavras, pois longe estamos de um iniciante da expressão poética, em qualquer dos aspectos que a constituam. Muito ao contrário: esta obra enfeixa mais de meio século de corpo-a-corpo com o verso, segundo se comprova pela datação que aparece em alguns poemas. E isso, se já de per si vale como uma lição a apressados versejadores adolescentes, serve, mais que tudo, como uma lição de disciplina que Antônio Martins tem exigido de si mesmo, por anos, no trato da poesia, revelada, por exemplo, em seu longo tirocínio com os haicais, ou no domínio de sua própria dicção.</p>
<p>A tal surpresa, da primeira tiragem, acrescente-se, na edição de agora, o fato de este conjunto de poemas oferecer-se traduzido em idiomas variados, que vão a nada menos que treze. O insólito cometimento pode garantir-se genuinamente maranhense, se nos lembrar-mos da famosa Anthologie universelle, publicada por Gomes de Sousa na Alemanha, em 1859, e que reunia ‘’poesias líricas’’em 17 idiomas.</p>
<p>Além disso, esta não é apenas uma segunda, mas uma nova edição de Chão do tempo, á qual, além de alguns poemas inéditos, soma-se o ordenamento diferente em confronto com a criação original.</p>
<p>O Autor afirma, com esta nova publicação, que pretende ‘’estabelecer um dialogo com os irmãos de boa vontade vindos de outras plagas para este velho e amado Maranhão [...,] que deixaram os pátrios lares e para cá vieram trabalhar, educar, catequizar&#8230;’’.</p>
<p>De fato, porém, seu livro se abre a todos os fusos da rosa-dos-ventos, aberto aos ouvidos de quantos, em qualquer horizonte, se disponham a ouvir, de Antônio Martins, seu ‘’dom de toar’’, tanto quanto receber seu ‘’tom de doar’’.</p>
<p>SUMÁRIO</p>
<p>Oferecimento</p>
<p>Os melhores momentos, por Gilberto Mendonça Teles</p>
<p>EXERCÍCIO</p>
<p>Ilustração (Exercício)</p>
<p>Invocação – Invocation</p>
<p>Subindo o rio-Up the river –Fluss aufwârts</p>
<p>Versos brancos –Blank verses</p>
<p>Ilustração (versos brancos)</p>
<p>CHÃO</p>
<p>HAIKAIS DO CHÃO</p>
<p>São Luís do Maranhão – SÃO LUIZ DO MARANHÃO</p>
<p>Ilustração (Da manhã)</p>
<p>Da manhã –ASA</p>
<p>Do asfalto –ASUFARUTO</p>
<p>Do caminho – MICHI</p>
<p>Do arrufo ontem á noite –YUBE NO FUTARI NO KENKA</p>
<p>Do carro correndo com os faróis acesos sobre os trilhos molhados RAITO O TSUKETA KURUMA GA NURETA DORO O HASHIRU</p>
<p>Da lua cheia subindo – MANGETSU NO NOBORU TOKI</p>
<p>Da ilha e o rio – MARANHAO TO RIO</p>
<p>Das pontes – HASHI</p>
<p>Viagem – Nagoya – Japão – Sonhos-postais – Vazio</p>
<p>Equador –Universidade</p>
<p>Canção do Exílio</p>
<p>TEMPO</p>
<p>HAIKAIS DO TEMPO</p>
<p>Do tempo –JIKAN</p>
<p>Noturno para Fritz Kahn –FRITZ KHAN NI SASAGERU YASÕKYOKU</p>
<p>Da lua-nova –SHINGETSU</p>
<p>Do parado tempo –TOMATTE SHIMATTA JIKAN</p>
<p>Trem bala – I –Trem bala – II</p>
<p>Do tempo e eu –TOKI TO WATASHI</p>
<p>Variações sobre as três partes do dia e alguns acessórios</p>
<p>Variations on the three parts of the day and some acessories</p>
<p>Historiazinha da estrela e o vaga-lume –Little story of the star and the firefly</p>
<p>Dilema –Dilemma (ingles) –Dilemma (alemão)</p>
<p>Ilustração (Loazinha)</p>
<p>Moto-imoto &amp; Loazinha para as árvores desfolhadas</p>
<p>Moto-imoto &amp; Little praise to the leafless trees</p>
<p>Praça do Ribeirão –Plaza del Ribeirão</p>
<p>Ilustração (Praça do Ribeirão)</p>
<p>AS RAÍZES</p>
<p>Ó Darwin –Oh Darwin</p>
<p>Epístola para a que se foi primeiro</p>
<p>Epistle to the one that left first</p>
<p>Sermão para o velho semeador</p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong>Tia to gero sporia</strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p>Ilustração (Canto da simultânea transmutação)</p>
<p>Canto da simultânea transmutação –Song of the simultaneous transmutation</p>
<p>Elegia para a outra &#8211; E<strong>legeia</strong> <strong>gia thn allh</strong></p>
<p>O ESPELHO</p>
<p>HAIKAIS DO ESPELHO</p>
<p>Do urubu –HAGETAKA</p>
<p>Dos teus olhos azuis –ANATA NO AOI HITOMI</p>
<p>Da montanha Russa –MONTANHA RUSSA DÕI</p>
<p>Dos grãos –TANE</p>
<p>Manifesto –Provérbio –I –Provérbio II</p>
<p>Dos olhos na tarde –Ocaso – Transcendência – I</p>
<p>Variação sobre o azul –Variations on the blue – A kékrol</p>
<p>Elegia &amp; Ilussonho – Elegy &amp; Ilusion-dream</p>
<p>Metafísica – Methaphisics</p>
<p>Ilustração (Filosofia)</p>
<p>Filosofia –Philosophy – Filozofia</p>
<p>Saudade século XX –Twentieth Century missing</p>
<p>TOKA XX BEKA –Vágyakozás a XXszázad után</p>
<p>Luar no caminho –Moonligth on the way</p>
<p>Cantinela da dersimandade –Ditty of non-fraternity</p>
<p>Estórias de mim para mim – Story from me to myself</p>
<p>Canção de não querer existir</p>
<p>Song of the no-desire to live</p>
<p>Verde alegoria para os meus olhos falsamente verdes durante um minuto</p>
<p>Ilustração (Verde alegoria)</p>
<p>Green allegory for my eyes untruly green for one minute</p>
<p>Sono –Sleep</p>
<p>O trajeto do alpinista</p>
<p>Ilustração (O trajeto do alpinista)</p>
<p>Lê parcours de l’alpiniste</p>
<p>A OUTRA</p>
<p>HAIKAIS DA OUTRA</p>
<p>Do até-logo –WAKARE</p>
<p>Do piscar dos teus olhos UINKU</p>
<p>Do quarto-minguante – MIKAZUKI</p>
<p>Das mãos espalmadas de uma noiva – HANAOYME NO NAMERAKA NA TE</p>
<p>Para teu vestido –ANATA NO DORESU NI SASAGETE</p>
<p>Dos olhos na tarde – GOGO NO ANATA NO HITOMI</p>
<p>Da invenção da moça-longe –TÕI-OTOME NO SÕZÕ</p>
<p>Tu &amp; Litania (em português)</p>
<p>Tu &amp; Litania (em italiano)</p>
<p>Poema pr’os teus cabelos cortados – Poema per i tuoi capelli tagliati</p>
<p>Poema do que não foste, poema do que tu és</p>
<p>Poema de quello che tu non sei stata (&#8230;)</p>
<p>Praia de um dia</p>
<p>Ilustração (Praia de um dia)</p>
<p>Plage d’um jour</p>
<p>A queda –Trad. Em chinês</p>
<p>O elo –Le lien</p>
<p>Canto da semente –Chant de la graine</p>
<p>Na noite –Dans la nuit</p>
<p>Poema da fuga</p>
<p>Ilustração (Poema da fuga)</p>
<p>Poema de la fuite</p>
<p>Retrato –Portrait – Ritraio</p>
<p>Soneto á antiga</p>
<p>O OUTRO</p>
<p>HAIKAIS DO OUTRO</p>
<p>Dos dois amigos – FUTARI NO TOMODACHI</p>
<p>Do Luluco –‘’LULUCO’’</p>
<p>Do chão –JIMEN</p>
<p>Do hipocampo –TATSU NO OTOSHIGO</p>
<p>Da cópula – KÕSETSU</p>
<p>Entendimento –Retorno – Transcendência –II – Felicidade</p>
<p>Descobrimento do Outro – La découverde de l’Autre – In cerca dell’altro</p>
<p>IKTICHAFU –L-GHAIRI</p>
<p>Receita para viver –Massine del vivere –Recette pour vivre</p>
<p>A lua não foi á praia –La lune n’est pás allée á plage – La luna</p>
<p>Non è andata al maré JIYHA HE IIPHIIIJIA HÁ B3MOPbE</p>
<p>Padeiro – Panettiere</p>
<p>Caminho</p>
<p>Ilustração (Caminho)</p>
<p>Sentiero</p>
<p>Poema de saudade e pena para o túnel da ‘’Estrada de Ferro São Luís – Teresina’’</p>
<p>Poema de nostalgia e pena al túnel della ‘’Estrada de Ferro São Luís – Teresina</p>
<p>Solidariedade</p>
<p>Ilustração (Solidariedade)</p>
<p>Solidarnosé</p>
<p>Diálogo entre a busca Dor dos cinco sentidos e o andarilho de Deus</p>
<p>Dialoog tussen de jager op verdriet em de zwerver van God</p>
<p>Diálogo</p>
<p>O autor</p>
<p>O prefaciador</p>
<p>O ilustrador</p>
<p>A ilustradora</p>
<p>Os tradutores</p>
<p>PREFÁCIO</p>
<p>A poesia de Antônio Martins, neste Cão do tempo, é bem a confirmação das palavras de Shelley, na sua Defense of poetry, quando, respondendo a seu amigo Thomas Love Peacock, que no início do século XIX havia chegado á conclusão de que ‘’o poeta de agora é um semibárbaro, vivendo numa sociedade civilizada’’, escreve que ‘’a poesia é o registro dos melhores e mais felizes momentos dos melhores e mais felizes espíritos’’.</p>
<p>É claro que os teóricos de hoje torceriam o nariz diante dessa idéia de a poesia ser o ‘’registro’’ de alguma coisa. Diriam que a poesia não registra coisa alguma e, de maneira superior, ensinariam que a poesia é linguagem, termo que, de resto, é na atualidade uma espécie de panacéia, um daqueles ‘’catalições’’ que a sátira menipéia do Renascimento francês dizia ser o elixir para todos os males&#8230; Diriam ainda que se há algum tipo de registro, isso é da ordem do poema e não da poesia. Enfim, nos falariam em mimese, catarse, estética da recepção, o diabo-a-quatro. E, tal como o tal Peacock do século passado (e talvez de todos os tempos, desde Platão), denunciaram a falta de função social para a poesia, chegando mesmo a proclamar a sua morte.</p>
<p>Depois de escrever o que está acima, comecei a me perguntar se valia mesmo a pena a distinção entre poema e poesia. Será que o leitor, ao tomar um termo pelo outro, não estaria mais sabiamente fazendo o que a poesia faz, isto é, operando uma redução, ‘’somando’’ as divergências e procurando, um menor esforço, uma expressão que, por ser direta, falaria mais concretamente e, por isso mesmo, com maior possibilidade de lhe tocar a fantasia e todo o seu potencial de imaginário? Neste sentido, por que não ver a poesia como uma forma especial de registrar certos fatos e acontecimentos que mais nos tocaram e que continuam em nós, nos limbos da memória, perdendo-se como na maioria dos homens ou então, através da linguagem, transformando-se em nova fonte de prazer? Um prazer ate certo ponto pessoal, intransferível; mas também coletivo, desde que, o poema /a poesia artisticamente organizado / (a), passa a produzir significados e a despertar prazer pela vida em fora.</p>
<p>Vejo por tanto a poesia com os mesmos olhos românticos desse Shelley inquieto revolucionário que a sentia congênita ao homem, como se cada um de nós tivesse na alma uma harpa eólica que as impressões internas e externas fizessem ‘’vibrar numa melodia sempre vária’’. Aí está a poesia no romantismo não é só ‘’expressão’’, como ensinam os críticos; é também ‘’impressão’’, forma de captar o exterior e de prepara-lo emocionalmente, de deixa-lo em estado de poesia, para ser ar / rumado numa linguagem adequada, aparentemente não trabalhada, como nos famosos versos de Álvares Azevedo: ‘’Se a estátua não saiu como pretendo, /quebrou-a: mas nunca o seu metal emendo ‘’.</p>
<p>O fato de ser linguagem, de ser uma manifestação especial da língua, não tira da poesia a sua natureza de apontar diretamente para as coisas acontecimentos, apesar dos versos irônicos de Drummond: ‘’Não faça versos sobre acontecimentos’’. O seu lado lingüístico contém a mesma parcela de real que está nas palavras do dicionário; e é sobre esse real que o poeta investe as suas economias emocionais, bem como o seu labor de melhor investimento. E, querendo ou não os teóricos, a poesia acaba por registrar, se não a continuidade lógica de um todo, pelo menos a descontinuidade analógica desse todo fraccionado. É por aí que o eterno retorno dos mitos: Orfeu despedaçado pela fiaria das mulheres da Trácia; Osíres com o corpo repartido pelas margens do Nilo; e, do alto, o olhar amoroso capaz de juntar, na leitura, as palavras-chave dispersas no poema.</p>
<p>O livro do professor Antônio Martins nos dá, de inicio, a imagem dessa atualização mítica: os seus poemas estão ‘’despedaçados’’ por quatorze línguas: alemão, árabe, chinês, espanhol, francês, grego moderno, holandês, húngaro, inglês, italiano, japonês, polonês e russo, alem, é claro, do português. Não creio que tenha havido uma preocupação de adequadação estrutural entre o poema e sua tradução, tanto que não há uniformidade nas traduções, ou seja, os poemas não são todos traduzidos nas mesmas línguas. Talvez por isso, pela falta dessa padronização geral, é que o livro ganha um ritmo visual que, auxiliado pelas ilustrações de J. L. Benício e Norma Sueli, põe o leitor em contato com uma nova e gradativa ordem de leitura poética. É que o verbal do alfabeto latino encontra, primeiramente, a sua correspondência no verbal anglo-germânico; depois, no verbal de outros alfabetos, como o grego, e o russo; e finalmente, a correspondência passa ao domínio do semiológico, sobretudo em face da escrita e vai-se deter, com mais tranqüilidade, nas margens do papel em que escrevem os signos originais, os da língua portuguesa, percebida então, pelo menos nesse <em>Chão do tempo</em>, como uma espécie de ursprach de onde se desdobraram em traduções as principais línguas do universo.</p>
<p>E é por aí, por essa penúltima flor do Lácio, que nos interessa comentar a poesia de Antônio Martins. Elogiar o titulo do seu livro, as partes que o compõem, a diversidade das formas poemáticas, o simbolismo especular dos poemas A Outra /O Outro, a tentativa de fusão épica e lírica (cf. o poema Invocação, no início), a escolha de temas cotidianos ligados à sua infância na cidade de São Luís, a ironia humorística de alguns poemas, a sua luta com os versos livres e às vezes metrificados, a sua dicção de professor de língua portuguesa e sua grande paixão pelos haicais. Antônio Martins não seguiu a moda brasileira, creio que inaugura por Guilherme de Almeida, de pôr rimas nos haicais, o que vem mobilizando milhares de poetas brasileiros que não se dão conta de que a arte não está em fazer rimar, mas em conseguir a rima adequada e semanticamente eficaz. O autor de Chão do tempo preferiu fugir às rimas que, na verdade, nem existem na poesia japonesa, e com isto construiu momentos belíssimos de poesia, falando do tempo ou, metonimicamente, tratando de maneira epigramática os acontecimentos em processo de transformação, de modo que, no fundo, a pátina do tempo parece sobrepor-se e adquirir maior densidade e poesia.</p>
<p>Um poema, por exemplo, como Subindo o rio, que parece em inglês e alemão, se não é um haicai, tem todavia a beleza da brevidade e filosofia da redução: o mundo ou uma visão do mundo de repente se reduz a uma simples imagem, numa carga poética que se tem muito de romantismo tem também a marca da poesia de todos os tempos:</p>
<p align="center">Paralelas convergentes,</p>
<p align="center">as duas linhas dos lados</p>
<p align="center">vão-se chegando uma á outra</p>
<p align="center">e fugindo dos meus olhos</p>
<p align="center">até serem no milagre</p>
<p align="center">de uma gota d’água apenas.</p>
<p>Ás vezes, em vez da ênfase no processo redutor, o que se tem á a descrição de algumas reminiscências, mas de tal maneira organizadas e estilisticamente conduzidas, que o leitor de deixa também envolver pela alvura das vogais tônicas, a combinar com as imagens lustrais das lavadeiras, como na segunda estrofe do poema Praça do Ribeirão:</p>
<p align="center">Lavadeiras lesco-lescam</p>
<p align="center">suas roupas e suas mágoas</p>
<p align="center">nas tuas águas lustrais:</p>
<p align="center">as chicotadas molhadas</p>
<p align="center">abafam por entre as águas</p>
<p align="center">o som das mágoas lavadas.</p>
<p>O lado sentimental da poesia de Antônio Martins é um dos pontos altos de seu livro. Não se trata, entretanto, de um sentimentalismo fácil ou literariamente repetitivo. É algo autêntico, vivenciado, arrancado da memória, do ‘’chão do tempo’’, de toda uma experiência que é somente sua, embora possua o dom de contaminar o leitor, de arrastá-lo na direção do que também poderia ter sido e que não foi. O poema Epístola para a que se foi primeiro é um desses poemas sentimentais, era forma de monólogo anafórico, em que o sujeito lírico tenta em vão apreender o instante de dizer alguma coisa já impossível de ser dita. Daí o <em>pathos</em>, o seqüestro do leitor, a consciência de uma filosofia um tanto niilista, apoiada em antíteses, como no poema Filosofia:</p>
<p align="center">Antes de tudo,</p>
<p align="center">tenho certeza</p>
<p align="center">de que não tenho certeza</p>
<p align="center">de nada.</p>
<p align="center">Depois de tudo,</p>
<p align="center">tenho certeza</p>
<p align="center">de que só tenho certeza</p>
<p align="center">do nada.</p>
<p>O que é na verdade excelente é quando o poeta constrói o seu poema dentro de um clima de ironia, utilizando jogos de palavras, como na ‘’Estória de mim pra mim’’, de tons bandeirianos, mas autêntico na sua dicção martiniana:</p>
<p align="center">‘’Era uma vez, outro dia,</p>
<p align="center">um Pierrô assim-assim;</p>
<p align="center">mas havia uma janela</p>
<p align="center">por detrás de um Arlequim.</p>
<p align="center">Logo no início da estória</p>
<p align="center">(como tudo tem seu fim),</p>
<p align="center">a Colomnia optou</p>
<p align="center">pelo pêlo do Arlequim’’.</p>
<p align="center">Conto essa estória a mim mesmo</p>
<p align="center">e penso em meu bandolim.</p>
<p align="center">E rio, e rio, e ainda rio</p>
<p align="center">do rio que corre em mim.</p>
<p align="center">Aqui o popular atinge o seu máximo desempenho a serviço do literário, os elementos das formas simples se atualizam numa linguagem poética de admirável expressão.</p>
<p>Mas o que chama logo a atenção na poesia de Antônio Martins é a sua preferência pela forma da poesia japonesa, o haicai. Esse tipo de poema aparece em quatro series do <em>Chão do tempo</em>, obedecendo rigorosamente ás dezessete sílabas dispostas em três versos e, o que é mais importante, obedecendo á sugestão de tempo, de atmosfera e de ambiência cotidiana que caracteriza a forma na literatura japonesa. Falando sobre a lua cheia, a imagem que se recorta tem também muito de reminiscência e presentificação: ‘’Quem foi que bateu / esta gema de ovo fresco / neste prato azul?’’. Noutro poema é a imagem do urubu que serve para inserir a noção de tempo (de eternidade):</p>
<p align="center">
<p align="center">Todo contra o azul,</p>
<p align="center">o urubu desenha um ponto-</p>
<p align="center">de-interrogação.</p>
<p>A imagem se torna dinâmica e muito mais eficiente levando-se em conta o artifício retórico muito bem logrado do estrangulamento da expressão. E veja-se como se reveste de ‘’beleza metalingüística’’ a imagem sobre o hipocampo:</p>
<p align="center">Chifrudo parágrafo,</p>
<p align="center">vais concluindo períodos</p>
<p align="center">esparsos no mar.</p>
<p>O gosto pelo haicai é tão forte nesse livro que chega a parecer um haicai geminado, quer dizer, o próprio título vem em forma de haicai e se encontra acoplado com o poema propriamente dito. Mas o curioso é que o sentido do título passa para o do poema, tal como a luz dos faróis de que ele falam:</p>
<p align="center">Do carro correndo</p>
<p align="center">com os faróis acesos sobre</p>
<p align="center">os trilhos molhados</p>
<p align="center">Eis dois alfinetes</p>
<p align="center">com as cabeças bem redondas</p>
<p align="center">feitas fluorescência.</p>
<p>Estes alguns pontos que fomos anotando sobre o <em>Chão de tempo</em>, de Antônio Martins. Tentando captar a voz do poeta, nos debruçamos sobre alguns momentos registrados pela sua poesia. Com o ouvido no chão, o que mais escutamos foram as batidas de um coração carregado de amor por sua terra, pelas gentes e coisas desse Maranhão tão cheio de tradição e poesia.</p>
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		<title>Da Arte de Falar Bem</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Nov 2008 19:29:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>celso</dc:creator>
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PREFÁCIO
CELEBRAÇÃO E CORDIALIDADE OU UMA TEORIA DA IMORTALIDADE *
José Chagas é um grande poeta do Maranhão, e dele já temos mais de uma vintena de livros, para felicidade de todos os que apreciam ver a poesia cultivada em timbres de consciente elevação e constante espontaneidade.
José Chagas e também um grande cronista – mais lido, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td width="577" valign="top">
<div><strong><img src="http://www.geia.org.br/UserFiles/Image/Fotos/capa%20jose%20chagas%20peq.jpg" alt="" width="192" height="273" align="right" />PREFÁCIO</strong></div>
<div>CELEBRAÇÃO E CORDIALIDADE OU UMA TEORIA DA IMORTALIDADE *</div>
<div>José Chagas é um grande poeta do Maranhão, e dele já temos mais de uma vintena de livros, para felicidade de todos os que apreciam ver a poesia cultivada em timbres de consciente elevação e constante espontaneidade.</div>
<div>José Chagas e também um grande cronista – mais lido, o mais festejado e o demais longa permanência no jornalismo maranhense – e dessa permanência, que se estende a um meio século ininterrupto, resultaram, até hoje, apenas dois títulos recolhidos a página menos perecível: os livros <strong>Pedra de Assunto </strong>(Rio: São José, 1961) e <strong>As armas e os barões assinalados </strong>(São Luís: Sotaque Norte,2000). A simples distância na data em que essas duas obras vieram a lume evidencia certo esquecimento ou descaso editorial, que se pode repartir entre razões de origem e peso imponderáveis: o relativo desprestígio da crônica em relação ao poema; a notória escassez de interesse, na Província e no País, por se imprimir o que não constitua demanda imediata e digestão fácil no mundo livreiro; e a desimportância que o próprio Autor tem atribuído a seu trabalho na imprensa cotidiana, bastando saber que, desse material, ele quase não guardava sequer os originais.</div>
<div>Considero-me afortunado por incluir-me entre os que insistiram com o Poeta para que a obrado Cronista não ficasse em segundo plano. Apanhando o pouco que eu mesmo vinha guardando desde algum tempo, consegui, não sem argumentos de lenta e paciente persuasão, convence-lo a me entregar velhos papéis que se escondiam em suas gavetas, ao que depois somei recortes repassados por amigos e amigas seus, quando tomaram conhecimento de meu projeto. Tudo junto, inventei, por meados da década de 80, um “Catálogo das Crônicas de Chagas”, ordenado por ordem cronológica, “tema”, fonte e data da publicação. Acondicionei a coleta em quatro caixas (1m3, mais ou menos), e, tendo que me ausentar do País por mais largo período, entreguei-as ao Autor, recomendando-lhe não deixasse de preservar essa parte, também significativa, de seu patrimônio artístico. Depois de tudo, o que havíamos reunido estava longe de chegar à metade do que José Chagas até então escrevera para a imprensa de São Luís, à qual houve tempo em que ele oferecia duas contribuições diárias.</div>
<div>Passado mais de um lustro, entretanto, quando me propus retomar a iniciativa, fui sabedor que, tendo o Poeta mudado de endereço, “aquelas caixas” haviam como que desaparecido dentro de sua casa. Desencantadas, depois, por circunstância fortuita, certificavam que a brocados cupins havia danificado a quase totalidade dos papéis.</div>
<div>O prejuízo, em vez de causar desânimo, trouxe ignição para os nossos propósitos. Chagas mesmo – havíamos entrado na era do computador – deu-se à tarefa de guardar os próprios escritos e até a confiar-me alguns de seus inéditos. Creio mesmo que foi a partir daí que ele se rendeu de plena concordância à idéia de publicarmos algumas de suas crônicas. Quanto a mim, continuando o agrupamento inicial por “temas”, desde cedo percebi que tínhamos munição para organizar mais de uma série, dada a variedade de assuntos: Política e Políticos – de maior extensão e alacridade -, podendo subdividir-se por espaços (a Província. o País) e por épocas; Visão do Mundo; São Luís, sua gente e seus problemas; Letras e Literatos;Comemorações e Homenagens.</div>
<div>Tratava-se de uma classificação prévia. Antes de acharmos os documentos, fabricávamos “caixas de coleta”, o que nos parecia sugerir que a pesquisa seria conduzida a bom termo&#8230; embora estejamos, ainda, nos primeiros passos da caminhada.</div>
<div>Como para nos convencermos de que o projeto não estacionaria em seus propósitos, não esperamos expandir-se o pequeno universo manipulado. Do material que tínhamos, extrairíamos a sugestão de três títulos próximos e possíveis, voltado, um, à atualidade política brasileira; outro, a São Luís e seu piccolo mondo, e o último, à celebração da cordialidade.</div>
<div>Da primeira sugestão,dá-nos conta o livro Armas e os barões assinalados, a “seleção de crônicas de um tempo perverso”, conforme diz o subtítulo, e que foi, na ótica de José Chagas, o que vivemos com Fernando Henrique Cardoso (encarado, em mais de quatrocentas páginas, só no período que foi da candidatura do sociólogo ao término de seu primeiro mandato presidencial).</div>
<div>A alegre  circunstância de estarmos agora comemorando os oitenta anos do Cronista leva a que, sem desligar-se de São Luís – a segunda sugestão, referida – adiantemo-nos a puxar o terceiro segmento temático. É o caso que o homenageado se antecipa em libar à escolhida e à sólida simpatia que, por mais de cinco décadas, lhe têm sido o pão e o vinho à mesa farta de sua convivência com os maranhenses. Justifica-se, assim, o título deste volume, obstado o caminho a conotações que aí não se incluem, em especial se se atenta ao subtítulo: “Crônicas de saudade e bem-querer”.</div>
<div>O título foi escolhido em simetria, e por oposição, a outro de Carlos Heitor Cony, Da arte de falar mal, publicado, na década de 60, pela Civilização Brasileira. Penso que não devo ocultar a razão, ou o motivo movente, por que, até mesmo contra alguma hesitação da parte do autor, teimei em conserva-lo, a despeito de equívocos que, de saída, pudesse provocar. Do tempo em que eu era apenas um leitor de José Chagas e não ainda um guardador de suas crônicas, lembro um comentário que ouvi de certa pessoa, que sou capaz de desenhar por inteira à minha frente, sem poder mais recordar seu nome:</div>
<div>-         Chagas é um grande escritor, não há dúvida. Mas só sabe falar mal.</div>
<div>Não tive como, naquele momento, contribuir para que o meu amigo se refizesse de um mal-entendido fundamental. Ele não era e não seria o único em apontar isso, que, aliás, não é nenhum defeito, mas uma qualidade, se tirarmos os nove-fora de certos vícios e vicissitudes que perduram em nosso mundo e nossos tempos.</div>
<div>O problema é saber-se o que significa, em que sentido próprio e pleno, falar mal. Será falar mal clamar contra o mal e contra os maus, dizendo a verdade? Sendo assim, não deveríamos apedrejar todos os profetas bíblicos? Ou não se está fazendo um bem, quando se tem coragem, elevação moral e sinceridade para emprestar a palavra a tantos que dela não podem fazer uso, adstritos a razões rasteiras que a nossa razão não alcança, aí incluídas singelas, e prudentes estratégias de sobrevivência?</div>
<div>José Chagas não desconhece sua maestria na arte de falar mal. Ele mesmo proclama ter feito “muita raiva a prefeitos e até governadores, posto que [sua] palavra era incômoda, por nunca ter de sair senão do povo e para o povo”. Há até o caso de uma primeira-dama estadual que subtraía ao marido a leitura do jornal, no café da manhã, para não azedar o dia do governador, com as crônicas de José Chagas. Essa é uma parte da história. A outra é que, depois, os três se fizeram cordiais amigos, o primeiro mandante, sua esposa e Chagas, sem que este mudasse de opinião ou curvasse a cabeça.</div>
<div>Explica o Cronista: “Minha relação com São Luís [é] relação das mais autênticas e sinceras, porque é relação de amor e ódio: as duas faces do bem-querer. São Luís me aceita tal como eu sou e eu a aceito tal como ela é. Isto não quer dizer que estejamos obrigatoriamente de acordo em tudo, a toda hora. O caso é que amo tanto que chego às vezes  a odiá-la e dizer dela cobras e lagartos. E todos sabemos que o ódio de quem ama só faz aumentar mais o amor, porque uma coisa é falar mal, por simples e deliberada condenação, outra é falar mal, visando o bem do que se ama”.</div>
<div>Mas, para quem duvidasse, aqui vai a comprovação de que Chagas é igualmente mestre na arte de bendizer. Nestas páginas, o Autor se concentra em indagar-se a si mesmo, para encontrar fatos e figuras e ontem e hoje – pequeno mutirão que é simples amostra de seus muitos amigos e companheiros do cotidiano – com os quais condividiu sonhos e afeiçoes, certificando a alguns sua amizade nordestino-sertaneja, sólida e serena, e a outros, já desaparecidos, oferecendo o ramalhete de sua saudade e sua ternura.</div>
<div>Desaparecidos, alguns amigos, mas todos vivos. Sabemos que no vasto curso de sua obra, José Chagas é sempre um domador do tempo, que a ele se dobra em mansa obediência, entregue ao sortilégio de suas palavras e à sua penetrante indagação das coisas idas e perdidas. Poeta-cronista tanto quanto cronista-poeta (já me ocorreu observar que, nestas duas palavras, importa a unificação expressa pelo hífen, não a ordem em que são escritas), ele nos faz ouvir, como leit-motiv, ao longo destes escritos, que sua visão da caducidade das coisas é, mais que tudo, um protesto contra o que é perecível, protesto que se traduz por uma Teoria da Imortalidade. Nada morre. Tudo continua aí, para outra contemplação. Não morremos. Encantamo-nos, para a sondagem do recôndito. “A morte não é verdade” – resume Chagas. E exemplifica: “Um amigo nunca morre por completo, pelo quanto dele fica em nós, como forma de vida a ser continuada, no campo da memória. E amizade passa então a alimentar-se tanto do que ele levou quanto do que deixou, pois a morte só extermina o lado material das pessoas, nunca a parte essencial de que são elas feitas. É possível que sejamos mais conteúdo do que continente.”</div>
<div>“Afirma-se comumente” – filosofa ainda o cronista – “que, no sempre misterioso processo do viver, vale muito mais a intensidade do que a duração. Eu acredito, no entanto, que haverá mais agudeza de espírito e mais enriquecimento humano, quando duração e intensidade funcionam conjuntamente, igualando-se e articulando-se na horizontalidade e na verticalidade dos procedimentos essenciais. Trata-se aí da simultaneidade do estar e do ser, como forma unitária de tempo e vida.”</div>
<div>E adiante: “Quase sempre, nas referências que fazemos à relação entre tempo e vida, ocorre um equívoco generalizado, em função de nossa ânsia pelo duradouro no campo efêmero. Todos nós vivemos preocupados em saber se temos tempo bastante para a vida, esquecidos de que o essencial é saber se temos vida suficiente para o tempo que nos é dado. Lamentamos os que tiveram muita vida e pouco tempo. Lamentamos ainda mais os que tiveram tempo em excesso e escassez de vida, e que por isso mesmo continuaram apenas durando, penosamente, ainda por longo período.”</div>
<div>É nesse ponto que se situa a diferença, sutil, mas que não é só jogo de palavras, entre aniversariar, pois existem pessoas que “sabem só o que o tempo faz com elas, não o que elas fazem com o tempo.[...]  Aniversário é algo que tem de estar mais relacionado com a vida do que com o tempo”, que “tenha um significado maior no contexto essencial, pois, do contrário, por mais que alguém complete anos e mais anos, não se completa a si mesmo.” Afinal, o tempo é “apenas uma formulação abstrata e neutra, dentro da qual tudo de desgasta irremediavelmente.</div>
<div>Para concluir: “Não será, portanto, com base no tempo que se deve calcular a vida. Mede-se a vida pelo parâmetro da própria vida, pela dimensão essencial de sua densa verticalidade duração vazia. [...] É claro que fisicamente estamos, por força, enquadrados no tempo. Mas mentalmente, intelectualmente, espiritualmente, não. Nesse campo, nada é mensurável. O tempo não acompanha os que sabem pensar para além dele e que, desse modo, dele se libertam e vivem. E a vida, que tem muito a ver com o espírito, mais do que com o corpo, pois este é efêmero e aquele é eterno, a vida escapa aos limites do calendário, às convenções cronológicas. A vida é livre.”</div>
<div>Vida livre, transtemporal e transcendente ao tempo: tal é o verdadeiro sentido   da imortalidade para aqueles que sabem construí-la nas contingências do próprio tempo, pela força de superação com que as obras do espírito se impõem à perecibilidade da matéria.</div>
<div>Noutras palavras, é para repetir Machado de Assis, desdizendo o Livro de Jô, repetido por José de Alencar, na frase final de Iracema: “Nem tudo passa sobre a terra”.</div>
<div>A Teoria da Imortalidade, segundo José Chagas, retoma a velha frase: “Per áspera as astra”, do tempo em que se conhecia o latim, para acrescentar que, entre as muitas maneiras de chegar aos astros, a mais suave é o cultivo das boas obras, e a principal das boas obras, a verdadeira amizade.</div>
<div>Por onde duas coisas se deduzem: uma, que, por suas crônicas, Chagas nega a conhecida formulação de Fernando Pessoa, para quem crônica é “literatura para aquele dia”. Outra – e mais importante – que José Chagas pode bem comemorar os muitos aniversários de sua imortalidade, consciente, como poucos, que soube ser amigo, cultivar amigos, professar e ensinar amizade.</div>
<p align="justify">* Sebastião Moreira Duarte</p>
<p><strong>SUMÁRIO</strong></p>
<div>Celebração da cordialidade ou uma Teoria da Imortalidade</div>
<div>Velha Crônica para hoje</div>
<div>Onde o céu tem</div>
<div>Saída do Labirinto</div>
<div>Nos caminhos da dor</div>
<div>Operação para uma posse</div>
<div>Governador-candidato</div>
<div>Eu, candidato</div>
<div>Aniversário de um amigo</div>
<div>Razões da minha candidatura</div>
<div>Cantada para dois</div>
<div>O anticandidato</div>
<div>A Folha e o Louco Necessário</div>
<div>Vitor Gonçalves e o rouxinol</div>
<div>A vingança de João do Vale</div>
<div>Ventos da gratidão</div>
<div>Há teatro no Maranhão</div>
<div>Eu e o festival</div>
<div>Ainda o iê-iê-iê</div>
<div>Legenda-3</div>
<div>Violões em serenata</div>
<div>A fé no femaco</div>
<div>Encontro marcado</div>
<div>Aniversariar e fazer anos</div>
<div>Almoço para adversário</div>
<div>Um amigo chamado Saudade</div>
<div>O eterno aniversariante</div>
<div>Boa esperança</div>
<div>A cidade e o Rio</div>
<div>A sina dos sinos, ou por quem os sinos sobram</div>
<div>Uma dívida paga</div>
<div>Nauro e o seu ouro</div>
<div>O contista dos Maranhões</div>
<div>A poesia de Lucinda</div>
<div>A missa-convite do Vidigal</div>
<div>O pintor Inaldo Goulart</div>
<div>Dagmar – pedra-viva</div>
<div>Canaã de graça</div>
<div>O poeta e o Visconde</div>
<div>Mata Roma e os velhos ritmos</div>
<div>Um pescador de poesia</div>
<div>Nós, os pescadores de sonhos</div>
<div>De boêmio a anjo, sem transição</div>
<div>O céu da estrela achada</div>
<div>O poeta entra a fama e o fumo</div>
<div>O doce Rio da Memória</div>
<div>Expectativa de trinta anos</div>
<div>Meu protesto</div>
<div>Dois poetas &#8211; uma festa</div>
<div>A cidade e seu antigo menino</div>
<div>O companheiro Amaral</div>
<div>Palavras a um cidadão</div>
<div>O boato da morte de JK</div>
<div>Um amigo é um amigo é um amigo</div>
<div>Um morto e o nosso indevido silêncio</div>
<div>Bar da saudade</div>
<div>A veracidade do Vera</div>
<div>Quando um amigo se faz memória</div>
<div>Um livreiro, um homem, uma memória</div>
<div>A morte não é verdade</div>
<div>Um santo morava com um anjo</div>
<div>Um bom sonho de paz</div>
<div>Uma vida merecida</div>
<div>Oitenta anos vividos a gosto</div>
<div>O canto e o encanto de Cecília</div>
<div>O festival na Ressurreição do Monsenhor</div>
<div>Setenta anos de juventude</div>
<div>A cura pela amizade</div>
<div>A grandeza de ser pequeno</div>
<div>Trinta anos de PH</div>
<div>Os centenários dos poetas vivos</div>
<div>Setembro, morte e vida</div>
<div>A espera, a colheita e os semeadores</div>
<div>Homenagem a Bernardo Coelho de Almeida</div>
<div>A Academia e seus aniversariantes</div>
<div>Retribuindo uma homenagem</div>
<div>Uma lagoa passada a limpo</div>
<div>Notas</div>
</td>
</tr>
<tr>
<td> </td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>São José de Ribamar &#8211; A Lenda</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Nov 2008 02:30:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>celso</dc:creator>
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APRESENTAÇÃOO Maranhão tem muitas histórias. Uma delas é a história de São José. São José de Botas, São José do povo, São José de Ribamar.
Para contá-la, vamos fazer voltar o relógio do tempo, até onde a história e a lenda se confundem, uma e outra banhando-se em mistério. Mistério de fé, luz de esperança, crença [...]]]></description>
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<tbody>
<tr>
<td width="577" valign="top"><img src="http://www.geia.org.br/UserFiles/Image/Fotos/capa-lendapq.jpg" alt="" width="180" height="275" align="right" /><strong>APRESENTAÇÃO</strong>O Maranhão tem muitas histórias. Uma delas é a história de São José. São José de Botas, São José do povo, São José de Ribamar.</p>
<p>Para contá-la, vamos fazer voltar o relógio do tempo, até onde a história e a lenda se confundem, uma e outra banhando-se em mistério. Mistério de fé, luz de esperança, crença iluminada da gente do Maranhão.</td>
</tr>
<tr>
<td></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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