Jock Dean, OEMA, 27.8.2011
São José de Ribamar amanheceu sob a expectativa de quem seriam os vencedores das edições 2011 da III Gincana do Conhecimento, II Concurso Professor Pesquisador e I Prêmio Geia de Monografia realizados durante a sétima edição do Festival Geia de Literatura, encerrado ontem, na cidade balneário. Foram três dias de atividades que envolveram alunos, professores, intelectuais e escritores em discussões e troca de conhecimentos sobre a cultura e literatura maranhense.
Logo no início da manhã, os alunos do Centro de Ensino Cidade de São José de Ribamar, Centro de Ensino Médio São José de Ribamar e Centro de Ensino Estado da Guanabara enfrentaram-se na III Gincana do Conhecimento. O tema da disputa deste ano foi a obra Canteiro de saudades, do autor caxiense Coelho Netto. Os participantes tiveram de responder 15 questões de múltipla escolha sobre os contos reunidos no título. Na segunda bateria da gincana, um aluno de cada equipe fazia uma pergunta para os concorrentes. A disputa foi acirrada e, somente na última etapa, quando os estudantes precisavam executar tarefas surpresas, a equipe Jovens Literatos, do Estado da Guanabara, tomaram a dianteira, mas só garantiram a vitória na última prova cuja tarefa era escrever uma frase contra a violência. O verso “Violência nem pensar, não deixe essa moda pegar” foi escolhido o melhor pela comissão julgadora e a equipe levou o 1º lugar, com 90 pontos. Como prêmio, a escola ganhou R$ 2 mil. O líder da equipe, Kayc Silva Santos, do 3º ano, vibrou com a conquista da escola, que nas duas competições anteriores ficou na 2ª colocação. “Foram dois meses de preparação. Fizemos diversas rodas de leituras com o livro de Coelho Netto. Foram muitas atividades para que a gente fixasse todos os detalhes da obra. Os professores nos deram muito apoio e nós estamos muito felizes com o resultado”, festejou.
À tarde, foi a vez dos alunos do ensino fundamental concluírem a disputa que começou no primeiro dia do Festival. As 10 equipes melhores colocadas, entre as 20 inscritas este ano, enfrentaram-se no Ginásio do Patronato São José de Ribamar. A disputa foi ponto a ponto e cinco equipes ficaram empatadas com 50 pontos. A decisão foi para a morte súbita com questões de múltipla escolha. As cinco equipes acertaram as três primeiras perguntas. Três escolas erraram a quarta questão e seguiram para a disputa do 3º lugar, que só foi decidido 15 perguntas depois. A escola Liceu Ribamarense I, da equipe Os Mirificos, ficou em 3º e recebeu um aparelho de DVD. Outras duas equipes disputaram o 1º lugar da competição. Foram 10 questões até que a Escola Municipal Altair Gomes da Silva, com a equipe Talismã, fosse anunciada vencedora da III Gincana do Conhecimento e do prêmio de R$ 2 mil. A Escola Municipal Parque Vitória ficou com o 2º lugar, levando o prêmio de R$ 1 mil.
Pesquisas
- No começo da noite, foi entregue o prêmio de R$ 2 mil referente ao II Concurso Professor Pesquisador, outorgado ao melhor projeto pedagógico desenvolvido nas escolas ribamarenses. Entre os projetos que se destacaram estavam um de literatura sobre a vida e obra de Jomar Moraes e projeto
Biografias, que abordou vida e obra de personalidades maranhenses. Mas foi o trabalho do professor de História Hélio Marinho de Souza Neto, do Liceu
Ribamarense I, que levou o prêmio. “Nós estudamos a relação entre o Egito antigo e a América atual. Montamos maquetes das pirâmides do Egito e dos
edifícios de arquitetura moderna para perceber a influência que a modernidade sofre da antiguidade. O resultado foi muito bom, pois despertou nos alunos a
noção de antropologia cultural”, explicou o professor.
Competição inédita nesta edição do Festival, o I Prêmio Geia de Monografia reuniu 14 trabalhos de quatro instituições, Universidade Federal do Maranhão, com o maior número de monografias (seis), Universidade Dom Bosco, Faculdade Atenas Maranhense e Faculdade Santa Fé. Os temas literatura e pedagogia foram os mais recorrentes com nove e quatro trabalhos, respectivamente. A professora de literatura Patrícia Raquel Lobato Durans, com a monografia Os novos atenienses e o imaginário da decadência, que trata sobre a obra de Inácio Xavier de Carvalho, levou o prêmio de R$ 2 mil. As monografias O Simbolismo no Maranhão: uma análise das obras de Maranhão Sobrinho e Frutuoso Ferreira, de Samara Santos Araújo, e Inclusão do aluno com deficiência visual em Caxias (MA), de Kelly Nascimento de Araújo, receberam menção honrosa da organização. “A Samara resgatou dois grandes nomes da literatura maranhense e a Kelly demonstrou que alunos com deficiência podem perfeitamente integrar o ensino comum, basta um projeto pedagógico que propicie
isso”, assinalou o professor Sebastião Duarte, membro da banca examinadora dos trabalhos.
Evento será levado para outras cidades do estado em 2012
São Luís e outros municípios do Maranhão estarão na programação
Pela primeira vez desde que começou a ser realizado, o Festival Geia de Literatura ultrapassou as fronteiras de São José de Ribamar e desenvolveu atividades em outro município. Este ano, a cidade escolhida foi São Luís, abrindo a possibilidade para que outras cidades do estado recebam o evento simultaneamente. Na terça-feira, 23, um dia antes da abertura oficial do Geia em São José de Ribamar, o escritor Laurentino Gomes, autor dos livros 1808 e 1822, proferiu palestra no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana, em São Luís. “Esta foi a primeira vez que incluímos São Luís na programação do Festival. Com isso, ampliamos o número de participantes e aumentamos a área de abrangência do Festival Geia de Literatura”, afirmou Jorge Murad, presidente do Instituto Geia. Murad comentou ainda que os bons resultados dessa primeira experiência de levar o Geia para além das fronteiras de Ribamar já garantiu São Luís como mais um palco do festival em 2012 e que novas cidades serão incluídas futuramente. “Atividades como as gincanas culturais com os alunos ribamarenses continuarão sendo realizadas no município, mas alguns eventos, como o encontro de escritores e palestras, podem acontecer em São Luís e em outras cidades nos próximos anos”, adiantou. Para ele, a inclusão de novas cidades na programação do Festival vai fortalecer ainda mais a valorização e o resgate da cultura maranhense. “Temos muitos autores que são conhecidos apenas na sua cidade natal. Precisamos fazer com que seus textos cheguem à capital e que os nomes de São Luís cheguem ao interior do Maranhão. Essa também é uma forma de melhorar a educação no estado”, avalia.
Coleção Geia lança mais duas obras e chega a 17 títulos publicados no MA
Os títulos Compêndio Histórico-Político dos Princípios da Lavoura do Maranhão, de Raimundo José de Sousa Gaioso, e Pérolas ao tempo, de Rosemary Rêgo, foram lançados ontem no VII Festival Geia de Literatura. Com as duas novas obras, a Coleção Geia de Temas Maranhenses completa 17 publicações. Ontem foi feito o lançamento simbólico do segundo livro de Rosemary Rêgo. A obra reúne diversos poemas do cotidiano da cidade de São Luís. São textos contemplativos e contemporâneos escritos em 2008 e cujas inspirações são as mudanças da comunicação na contemporaneidade. Essa temática é exposta no poema ‘Twitter’. A poesia de outros escritores também serve de inspiração para a autora, assim como pontos muito frequentados e conhecidos de São Luís, como a Rua Grande. A obra de Rosemary Rêgo tem como característica principal uma linguagem intimista e densa, pois o livro surgiu da observação do tempo. Mas o tempo a que ela se refere é metafísico e não cronológico. A primeira edição da obra de Gaioso foi lançada em 1818 quando o autor analisava
o declínio da economia maranhense com o fim da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão. Atualmente, existem apenas quatro exemplares desta primeira edição em todo o mundo, segundo o professor Sebastião Moreira Duarte. “E ainda assim são publicações incompletas, pois somente após a morte de Gaioso é que seu livro foi editado. Analisando o texto, encontramos diversas menções a mapas e a outros trechos inexistentes nos impressos”, informou. Em 1970, o atual presidente da Academia Maranhense de Letras (AML), Joaquim Itapary, reeditou a obra, mas somente agora, após intenso trabalho de pesquisa, o livro ganha uma edição completa. “Podemos afirmar que esta é de fato a primeira edição deste trabalho, pois reunimos todos os mapas e trechos que faltavam nas duas outras edições. Agora o trabalho de Gaioso ganha um novo contexto, pois fica como um balanço da herança colonial no Maranhão”, comentou Jorge Murad, presidente do Instituto Geia.