Jornal O Estado do Maranhão

Alternativo

20/08/2006

Espaço para a literatura em festival
Segunda edição do Festival Geia de Literatura, que acontecerá nos dias 23, 24 e 25 terá oficinas, palestras, feira de livros e atrações culturais em São José de Ribamar

Antonio Júnior
Do Alternativo

A cidade balneária de São José de Ribamar, distante 31 Km de São Luís, respirará literatura durante os dias 23, 24 e 25 deste mês, por causa da 2ª edição do Festival Geia de Literatura, evento pioneiro no estado. Na programação, grandes nomes das letras e da cultura do Maranhão reunidas com a comunidade para participar de palestras, debates, mesas redondas, feira de livros e oficinas.
Depois do grande sucesso da primeira edição do evento que reuniu milhares de pessoas, entre professores, estudantes e a população em geral, São José de Ribamar volta a sediar o maior evento literário do Maranhão. As atividades serão realizadas no Ginásio Patronato São José de Ribamar, na Unidade Escolar Diomedes da Silva Pereira, na Igreja São José de Ribamar, no Salão Paroquial, na Biblioteca Pública e no Restaurante Miramar. Na Praça da Basílica será instalada a feira de livros e o carro biblioteca.
O objetivo do festival, além de difundir a literatura por meio de seus autores e estudiosos, é aproximar a população, principalmente os mais jovens, das letras. “Os jovens atualmente têm muito contato com o visual, com imagem e som e deixam as letras de lado. Nosso objetivo é também permitir que eles tenham um contato maior com a literatura, para que possam se expressar também pela escrita. É ainda um reconhecimento ao trabalho de poetas, escritores, professores”, diz Jorge Murad, presidente do Instituto Geia, entidade realizadora do festival, que conta com o patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), Alumar, Banco do Nordeste, Lojas Gabryella e apoio da Prefeitura de São José de Ribamar e do Sistema Mirante.
Conhecida pelo santuário consagrado dedicado ao santo padroeiro dos maranhenses, São José de Ribamar torna-se, com o evento, a cidade das letras. “A gente se inspirou na Festa Literária Internacional de Parati, no Rio de Janeiro. O formato é diferente, porque no Festival Geia de Literatura toda a programação é gratuita, ao contrário do que acontece em Parati. Por ser uma cidade próxima à São Luís, queríamos também dar visibilidade a ela”, justifica Jorge Murad.
A grande novidade desta 2ª edição do Festival será o aumento no número de palestrantes, que este ano serão aproximadamente 50.
Personalidades ligadas ao teatro, artes, pesquisa e literatura estarão presentes nos três dias do evento. A Academia Maranhense de Letras (AML) não poderia ficar de fora e será representada durante o Festival Geia de Literatura por seu presidente Joaquim Itapary e por membros como Jomar Moraes, José Chagas, Ubiratan Teixeira (todos cronistas de O Estado), Antônio Martins de Araújo, Sonia Almeida e Ceres Costa Fernandes, entre outros.
O teatrólogo e professor da Universidade Federal do Maranhão Aldo Leite, o poeta Luís Augusto Cassas, compositor Luís Bulcão, professora Márcia Manir, maestra e coreógrafa Olinda Saul, atriz Sandra Cordeiro, antropólogo Sérgio Ferretti, escritora Arlete Nogueira, professora Sônia Tereza Ferreira, escritor e jornalista Wilson Marques, entre outros nomes, também marcarão presença no Festival.
Outra novidade são as atrações culturais. O Ballet Olinda Saul, por exemplo, apresentará o espetáculo Dom Quixote, no ginásio do Patronato São José de Ribamar e o Coral da Universidade Federal do Maranhão apresentará um repertório composto de músicas eruditas maranhenses.

PROGRAMAÇÃO
Este ano serão oferecidas ainda sete oficinas, sendo seis realizadas no Salão Paroquial e uma, voltada para professores, na biblioteca pública. Os temas trabalhados serão A Literatura Infanto-Juvenil: do Texto Formal ao Texto Lúdico; Criação Literária; Fábrica de Letras; Noções de Lingüística e de Literatura Para o Trabalho com o Texto em Sala de Aula; Fábrica de Brinquedos; O Texto Literário em Sala de Aula: Reflexões Sobre a Abordagem do Livro Didático e Biblioteca e Pesquisa Escolar.
A cada dia, no resturante Miramar acontecerá um debate. No primeiro dia o tema será Nina Rodrigues, tendo como conferencista o imortal e ex-presidente da Academia Maranhense de Letras (AML) Jomar Moraes como debatedores Regina Farias, Sérgio Ferretti, Mundinha Araújo e Joaquim Itapary, presidente da AML.
No segundo dia o tema será Filosofia, Leitura e Literatura, com a professora e imortal Sonia Almeida e debatedores Joseane Maia, Beatriz Saboia, Margarida Patriota e Joaquim de Oliveira Gomes. No último dia, o tema discutido será Literatura Maranhense X Literatura do Maranhão, como conferencista Sebastião Moreira Duarte e debatedores José Chagas, Joaquim de Oliveira Gomes e Vanda Rocha.
Entre outros temas que serão trabalhados durante o Festival Geia de Literatura estão A Poesia dos Cantadores, com Luís Bulcão; O Fazer Teatral, com Aldo Leite; Aspectos Sociais da Poesia Maranhense Contemporânea, com José Neres; Poesia: Uma Jornada da Alma, com Luís Augusto Cassas; A Literatura na Construção Social da Infância, com Kilza Fernanda Viveiros; O Fazer Teatral, com Ubiratan Teixeira, entre outros. Assim como aconteceu ano passado, a feira de livros movimentará a Praça da Basílica com publicações de várias editoras.

Serviço

[ EVENTO ]
Festival Geia de Literatura

[ quando ]
Dias 23, 24 e 25

[ onde ]
São José de Ribamar
(distante 31km de São Luís)

[ entrada
franca ]

Jornal O Estado do Maranhão

Alternativo

23/08/2006

Festa das letras em Ribamar
Primeiro dia da segunda edição do Festival Geia de Literatura terá mesas-redondas, palestras, oficinas e debates

Começa hoje a segunda edição do Festival Geia de Literatura, evento pioneiro no Maranhão, que reunirá em São José de Ribamar, distante 31Km de São Luís, grandes nomes da literatura e da cultura do estado. A programação do primeiro dia contará com mesas-redondas, palestras, oficinas e debates, além da feira de livros. A cidade balneária respirará literatura pelos próximos três dias.
O festival será realizado em locais distintos ao longo de todo o dia, das 8h às 21h30. Temas ligados ao teatro, música, história e, principalmente, muita literatura serão debatidos hoje, amanhã e sexta-feira, por quase 50 palestrantes. O objetivo do evento é difundir a literatura no estado por meio de seus autores e estudiosos, e também aproximar a população, principalmente os mais jovens, das letras.
O evento é uma realização do Instituto Geia e conta com o patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), da Alumar, do Banco do Nordeste, das Lojas Gabryella e apoio da Prefeitura de São José de Ribamar e do Sistema Mirante.

PROGRAMAÇÃO
A programação da segunda edição do Festival Geia de Literatura terá início às 8h com a Leitura na Praia, com Kátia Correa. A partir das 10h, no ginásio do Patronato de São José de Ribamar, serão apresentados os espetáculos O Desejo de Catirina; Poeta, Pregoeiro, Cantador: O Maranhão em Canto e Verso e A Chegada de Lampião no Inferno, montagens do grupo GAMAR.
Também no mesmo horário, a imortal Ceres Costa Fernandes fará palestra As Considerações Sobre a Crônica, na Unidade Escolar Diomedes da Silva Pereira. Na Igreja de São José de Ribamar, nesse mesmo momento acontecerá a palestra Da Palavra ao Texto: Conhecimento, Prazer e Sedução, com Joaquim de Oliveira Gomes, Sônia Tereza Ferreira e Nereida Viana Dourado.
O compositor Luís Bulcão, também às 10h, realizará, no Restaurante Miramar, a palestra A Poesia dos Cantadores. Essa é a primeira vez que ele participa do evento. “Ano passado eu participei como ouvinte e fui convidado este ano para fazer essa palestra. O festival é uma ótima iniciativa, pois visa o conhecimento e preservação da cultura do nosso estado, uma maneira de valorizar aquilo que é nosso”, elogia. O compositor falará sobre o “casamento” da poesia com a rica música do Maranhão. “Há uma harmonia na poesia dos nossos cantadores, resultado da miscigenação das raças que formam a cultura do estado. É disso que vou falar um pouco”, adianta Luís Bulcão.
As oficinas também serão iniciadas às 10h e terão como temas A Literatura Infanto-Juvenil: do Texto Formal ao Texto Lúdico; Criação Literária; Fábrica de Letras; Noções de Lingüística e de Literatura Para o Trabalho Com o Texto em Sala de Aula; Fábrica de Brinquedos; O Texto Literário em Sala de Aula: Reflexões Sobre a Abordagem do Livro Didático e Biblioteca e Pesquisa Escolar.
Às 15h30, a comunidade de São José de Ribamar poderá conhecer um pouco de sua história por meio da palestra A Fundação da Cidade de São José de Ribamar, ministrada pela diretora da biblioteca pública José Sarney, Marli de Jesus Conceição e autora da publicação São José de Ribamar, Cidade de Encantos, lançada em 1995. “Esse foi o primeiro livro lançado sobre a cidade, não só a vida religiosa, mas também contando a história política do local. Levantarei algumas questões, como se São José de Ribamar pode ser ou não considerada cidade histórica. Vou percorrer um pouco da trajetória da cidade”, adianta a bibliotecária.
Marli de Jesus Conceição terá o cuidado ainda de ministrar a sua palestra de maneira a atingir todas as idades. Ela aproveitou para elogiar a iniciativa do Instituto Geia. “É muito importante estimular a leitura em crianças, jovens e adultos. Aproximar a população dos escritores é uma ótima iniciativa para que eles possam, dessa forma, também se aproximar da literatura. O melhor é que é realizado em São José de Ribamar, uma cidade pequena e que merece receber um evento tão importante para o Maranhão”, declara.

ESPETÁCULOS
A novidade desta edição do evento é a abertura para apresentação de espetáculos. Às 17h, o ballet Olinda Saul fará uma apresentação do balé Dom Quixote, no ginásio do Patronato São José de Ribamar. Serão 40 bailarinos que fazem parte do projeto social Dança Criança apresentando o 1º e o 3º atos do espetáculo, que trará como solistas Anderson Dutra e Janaína Martins, moradores de comunidades carentes de São Luís. “Não dá para fazer a montagem completa, por isso, escolhemos dois atos que são os principais. É uma oportunidade de mostrar a dança para o público que participará do festival”, diz Olinda Saul.
Para ela, o festival reúne, num mesmo espaço, teatro, dança e literatura. “Há uma integração da arte. Estávamos precisando de iniciativas como essa, uma maneira de aproximar ainda mais as pessoas da arte. Será uma experiência muito boa não só para mim como bailarina, mas também para quem participa do evento e para as crianças do projeto Dança Criança”, elogia.
Na praça da basílica será montada uma feira de livros, que terá estandes tanto de editoras como de livrarias.
Jornal O Estado do Maranhão

Alternativo

24/08/2006

Diversidade cultural no ‘Geia’
festival, que reúne intelectuais, movimenta São José de Ribamar em seu 2º dia

O segundo dia do Festival Geia de Literatura começa às 8h de hoje, com a Leitura na Praia, palestras, mesas-redondas, oficinas e debates e apresentações culturais (ver quadro).
A partir das 10h, as oficinas – voltadas para professores e alunos de séries distintas – que começaram ontem terão continuidade hoje e acontecerão novamente no Salão Paroquial. Entre os temas abordados, estão A Literatura Infanto-Juvenil: do Texto Formal ao Texto Lúdico; Criação Literária; Fábrica de Letras; Noções de Lingüística e de Literatura Para o Trabalho Com o Texto em Sala de Aula; Fábrica de Brinquedos; O Texto Literário em Sala de Aula: Reflexões Sobre a Abordagem do Livro Didático e Biblioteca e Pesquisa Escolar.
No ginásio do Patronato de São José de Ribamar, no mesmo horário, será ministrada a palestra Sustentabilidade, Desenvolvimento Social e Reciclagem: Quanto Vale Aquilo que “não tem valor”, com Domingos Campos Neto. Às 15h30, no mesmo local, haverá apresentação do grupo GAMAR com os espetáculos O Desejo de Catirina; Poeta, pregoeiro, cantador: o Maranhão em canto e verso, e A chegada de Lampião no inferno.
Já na Unidade Escolar Diomedes da Silva Pereira, às 10h, será encenada uma montagem da Companhia Tapete Criações Cênicas tendo como o base o livro infantil do escritor e jornalista maranhense Wilson Marques Touchê e o Segredo da Serpente Encantada, publicação que já foi adotada em várias escolas da capital.
A escritora Arlete Nogueira contará para as crianças do município uma história criada por ela mesma, falando da relação professores, pais e crianças. “Criei uma história bem infantil, voltada para crianças de 8 anos, falando da relação escola e família. A escola é um complemento à educação que a criança recebe em casa. Não tem como dissociar as duas. Enquanto um tem a tecnologia, os equipamentos modernos, cabe à família ensinar valores morais. Só não quero adiantar a história para não estragar a surpresa”, diz a escritora.
Para Arlete Nogueira, o Festival Geia de Literatura aproxima crianças e adolescentes da leitura. “É um trabalho educacional mostrado de forma bastante prazerosa, já que arte e beleza se traduzem na emoção, e tudo isso vem sendo feito durante o festival, por meio das palestras e dos espetáculos. Essa é uma iniciativa necessária e oportuna, que deve se alastrar por todo o Maranhão”, declara.
Na Igreja de São José de Ribamar, às 10h, as fábulas e contos terão sua vez. Já às 15h30, a atriz Sandra Cordeiro falará sobre O Fazer Teatral e, ao final, encenará o espetáculo As Filhas do Mangue. Às 17h, será a vez do Coral Antônio Rayol apresentar um repertório composto de músicas eruditas maranhenses.

POESIA
No Restaurante Miramar, a poesia será abordada em duas palestras: às 10h, com José Neres falando sobre Aspectos Sociais da Poesia Maranhense Contemporânea, e Antonio Araújo – que veio do Rio de Janeiro especialmente para participar da 2ª edição do Festival Geia de Literatura – trabalhando o tema Mistérios da Poesia.
“Como é algo direcionado para alunos do ensino fundamental, eu irei mostrar para eles cerca de 180 haicais – poemas japoneses compostos de três versos – dos séculos XVII, XVIII e XIX de vários poetas, principalmente de Issa e Bashô, que falam sobre o deslumbramento pelos mistérios da vida e pelas quatro estações do ano. Também falarei um pouco sobre o trabalho de Mário Quintana”, adianta o professor do mestrado de Morfologia Portuguesa, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. “Estou muito feliz em poder participar desse evento pela segunda vez. Foi uma ótima idéia montar o festival, que atrairá, a exemplo de Parati, no Rio de Janeiro, pessoas de outros estados”, complementa Antônio Araújo.
Fechando a programação do segundo dia, ainda no Restaurante Miramar, a partir das 19h, a imortal da Academia Maranhense de Letras, a professora universitária Sonia Almeida será a conferencista do debate Filosofia, Leitura e Literatura, que terá como debatedores Joseane Maia, Beatriz Sabóia, Margarida Patriota e Joaquim de Oliveira Gomes. Segundo Sonia Almeida, esse é um momento de resgate e de unir arte e literatura. “A programação do festival está bastante rica, de grande dimensão estética e teórica. É importante porque agrega vários setores da arte, educação e filosofia. É um evento transdisciplinar”, diz Sonia Almeida.

Serviço

[ o quê ]
Festival Geia de Literatura, com extensa programação

[ quando ]
Hoje e amanhã, a partir das 8h
[ onde ]
São José de Ribamar (31km de São Luís)

[ entrada franca ]

Programação

HOJE
08h: Leitura na Praia – Kátia Corrêa

GINÁSIO DO PATRONATO SÃO JOSÉ
10h: Sustentabilidade: Desenvolvimento Social e Reciclagem: Quanto Vale Aquilo que “Não Tem Valor” – Domingos Campos Neto

UNIDADE ESCOLAR DIOMEDES DA SILVA PEREIRA
10h: Touchê e o Segredo da Serpente Encantada – Wilson Marques e a Cia. Tapete
15h30: Uma História Para as Crianças de São José de Ribamar – Arlete Nogueira

IGREJA DE SÃO JOSÉ DE RIBAMAR
10h: Oficina: A Literatura Infanto-Juvenil: Do Texto Formal ao Texto Lúdico – Márcia Manir
10h: Oficina: Criação Literária – Cibelle Corrêa / Heloísa Reis / Thaísa Helena
10h: Oficina: Fábrica de Letras – Marília Gabriela / Raquel Pavão Rocha / Rainara Serra
10h: Oficina: Noções de Lingüística e de Literatura Para o Trabalho com o Texto na Sala de Aula – Teresinha de Jesus Baldez e Silva
15h30: Oficina: A Literatura Infanto-Juvenil: Do Texto Formal ao Texto Lúdico – Márcia Manir
15h30: Oficina: Criação Literária – Cibelle Corrêa / Heloísa Reis / Thaísa Helen
15h30: Oficina: Fábrica de Brinquedos – Marília Gabriela / Raquel Pavão Rocha
15h30: Oficina: O Texto Literário na Sala de Aula: Reflexões Sobre a Abordagem do Livro Didático – Teresinha de Jesus Baldez e Silva

BIBLIOTECA PÚBLICA JOSÉ SARNEY
10h: Oficina 7: Biblioteca e Pesquisa Escolar Público-alvo: professores – Cássia Furtado
15h30: Oficina 7: Biblioteca e Pesquisa Escolar Público-alvo: professores – Leoneide Martins

RESTAURANTE MIRAMAR
10h: Aspectos Sociais da Poesia Maranhense Contemporânea – José Neres
15h30: Poesia: Uma Jornada da Alma – Luís Augusto Cassas

RESTAURANTE MIRAMAR
19h: Debate: Filosofia, leitura e literatura. Conferencista: Sônia Almeida. Debatedores: Joseane Maia / Beatriz Sabóia / Joaquim Oliveira Gomes / Margarida Patriota

PRAÇA
16h30 às 21h30: Feira de Livros na Praça de São José de Ribamar com Carro-Biblioteca
Jornal O Estado do Maranhão

Geral

24/08/2006

Ribamar respira literatura e cultura
2ª EDição do Festival Geia foi abertA ontem na cidade BALNEÁRIA com palestras, oficinas, debates e mesas-redondas

Nívia Lins
Gustavo Raft
Da equipe de O Estado

A tríade orla marítima, literatura e cultura marcou as primeiras horas da 2ª edição do Festival Geia de Literatura, iniciada na manhã de ontem em São José de Ribamar, distante 31 km de São Luís. O evento das letras movimentou a cena da cidade balneária com a presença de intelectuais, escritores, poetas e estudiosos, além de professores e estudantes do ensino fundamental. A vasta programação educativa e cultural, que contempla palestras, oficinas, debates, mesas-redondas e feira de livros, prosseguirá até amanhã, das 8h às 21h30, reunindo cerca de 50 palestrantes.
Realizado pelo Instituto Geia, o festival conta com o patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), Alumar, Banco do Nordeste, Lojas Gabryella e apoio da Prefeitura de São José de Ribamar e do Sistema Mirante.
A programação foi iniciada às 8h com a Leitura na Praia, com a pedagoga Kátia Corrêa. A experiência literária à beira-mar reuniu vários estudantes de escolas municipais da cidade, que se sentiram à vontade em construir, em coletivo, palavras contextualizadas ao seu ambiente social. A pedagoga, que trabalha com o processo ensino-aprendizado contextualizado há mais de 8 anos, utilizou placas dos bares da orla marítima, cardápios e objetos encontrados na praia para ensinar e explorar a construção literária dos pequenos leitores. “Um ensino contextualizado, capaz de explorar o ambiente natural da criança, é muito importante para a construção de uma aprendizagem significativa, em que se pode trabalhar com sua visão de mundo e ampliar seu vocabulário lingüístico e social”, enfatizou Kátia Corrêa.
Às 10h, o Ginásio Patronato São José de Ribamar, a Unidade Escolar Diomedes da Silva, a Igreja, Casa Paroquial e o Restaurante Miramar cederam suas instalações para a realização da programação. Muitos jovens marcaram presença na palestra do compositor Luís Bulcão, realizada no restaurante Miramar. Com o título A poesia dos cantadores, o músico-palestrante fez muitos jovens presentes no local refletirem sobre o enorme arcabouço cultural dos compositores e cantores de bumba-meu-boi. “É preciso que os jovens saibam que os cantores são verdadeiros poetas e, muitas vezes, são fontes de vários poetas. Muitas vezes discriminados, esses amantes da cultura popular ajudam na preservação cultural de nossos costumes e valores. Os cantadores cantam a sua aldeia, por isso a importância de ensinar os jovens a reconhecerem o trabalho e a poesia dos nossos cantadores, para que eles também possam se reconhecer retratados em suas músicas. Conhecer o viveiro, a nossa aldeia, a poesia dos nossos cantadores é comparar a cidade com a própria poesia ”, romantiza Bulcão.

Cultura popular
No mesmo horário, ouvia-se do Ginásio Patronato São José de Ribamar palmas entusiasmadas para o Grupo de Arte Maria Aragão – Gamar -, que apresentou três espetáculos retratando a riqueza da cultura popular maranhense. Formado em 1999, o grupo, que reúne jovens artistas teatrais, encenou as peças “O desejo de Catirina”; “Poeta, pregoeiro, cantador: o Maranhão em canto e verso”; e A chegada de Lampião no inferno. Utilizando em suas produções textos de ícones da literatura como João do Vale, José Pereira Godão, Bandeira Tribuzi, Antônio Vieira e cordel de José Pacheco, o Gamar tem a proposta de incentivar a leitura em todas as suas dimensões, seja pictórica, imagética ou musical, sempre contemplando a ação social e o protagonismo do leitor juvenil. “É uma honra estarmos participando deste projeto e podermos comungar com todos essas pessoas do desejo e ativação na construção de um mundo mais letrado, crítico e criativo”, frisou Wilson Chagas, idealizador do grupo.
Às gargalhadas, a estudante Jessyca Silva, 11 anos, falou sobre a felicidade por ter acesso aos espetáculos teatrais. “Achei muito bem elaborado e interessante, principalmente quando eles apresentaram o cordel. Espero aprender ainda mais com todas estas atrações”, disse. João Pedro Oliveira, de apenas 4 anos, também mostrava-se entusiasmado com as brincadeiras feitas pelos atores. “Achei engraçado. Gostei da música”, disse o pequeno leitor.
Na Igreja de São José, a palestra Da palavra do texto: conhecimento, prazer e sedução, ministrada por Joaquim de Oliveira Gomes, Sônia Tereza Ferreira e Nereida Viana Dourado, encantou dezenas de alunos, que assistiam concentrados às informações dos palestrantes. “Queremos que o leitor deixe-se seduzir pela leitura. É preciso que as pessoas se deixem envolver pelo texto, e busquem uma relação de intimidade e de prazer com ele. A leitura, enquanto polissêmica, pode abranger intenções e diferentes abordagens. Para isso, é preciso que o leitor esteja atento para as suas articulações”, afirmou Nereida Viana Dourado, formada em Letras.

OFICINAS
Este ano, serão oferecidas sete oficinas, sendo seis realizadas no Salão Paroquial e uma voltada para professores, na Biblioteca Pública. Marília Gabriela Diniz, do Serviço de Educação Ambiental da Alumar, era uma das doze oficineiras que, na manhã de ontem, contribuíram para a exaltação à boa leitura. Durante os três dias de evento, a oficineira, em companhia de Raquel Pavão Rocha e Rainara Serra, estará incentivando crianças a lerem e a preservarem o meio ambiente. “Utilizaremos fábulas e textos que explorem o respeito à flora e à fauna, principalmente a regional, para desenvolver nas crianças a produção textual e a consciência ecológica”, explicou Marília Diniz.
Trabalhando com a literatura infanto-juvenil, Juliana Belo, em sua oficina A Literatura Infanto-Juvenil: do texto formal ao texto lúdico, destacará o uso das narrações e das histórias lúdicas. “O principal objetivo é fazer com que a criança entre em contato e melhore sua estrutura narrativa”, disse a profissional formada em Letras.
A estudante Alessane Rocha Sousa, 10 anos, contou que espera aprender muito com as oficinas e com as ações realizadas durante o evento. “Espero conhecer novos autores e me dedicar mais à literatura”, disse a aluna da escola municipal José Fernandes Machado.
Com o mesmo objetivo de mediar a criança no mundo letrado, Fátima Sopas, Cibelle Corrêa, Heloisa Reis e Thaísa Helena têm como proposta ampliar o vocabulário lingüístico dos alunos e desenvolver suas potencialidades narrativas. “A nossa sociedade é grafocêntrica, por isso é imprescindível que nossos alunos sejam estimulados na criação de textos literários de formas diferentes e criativas”, explicou Cibelle Corrêa.

SUCESSO
Parceiro na iniciativa de transformar a cidade em um celeiro literário, o prefeito Luís Fernando Silva frisou a importância do festival para a comunidade ribamarense. “O objetivo é valorizar e divulgar a produção literária maranhense e, sem dúvida, a iniciativa é muito louvável. Estamos todos honrados com a escolha da sede do evento”. Sobre as perspectivas da segunda edição do evento, o prefeito mostrou-se otimista.
“Com certeza, o Festival será ainda mais grandioso este ano, devido principalmente à inserção de atrações culturais nos intervalos da programação, à grande fluência do público, e também à presença de intelectuais e personalidades que constróem magistralmente a identidade literária de nosso estado. O Festival já está integrado ao calendário cultural e literário de nossa cidade”.
As impressões do imortal Sebastião Moreira Duarte sobre o evento parecem construir uma esfera de unanimidade entre os convidados. “Durante muito tempo, São Luís foi conhecida como a Atenas Brasileira, o berço dos poetas, e vejo São José de Ribamar como extensão dessa cultura literária. Por isso, considero perfeita a escolha da cidade como espaço de realização do Festival de Literatura. É preciso resgatar o passado literário deste espaço, para que a literatura se constitua como valor imprescindível para a juventude”. (N.L.)
Jornal O Estado do Maranhão

Alternativo

25/08/2006

Feira de Livros é atração no Festival Geia de Literatura
Bons títulos, voltados especialmentepara crianças e adolescentes, são expostos até hoje, em são josé de ribamar

A Feira de Livros, que faz parte da programação da segunda edição do Festival Geia de Literatura, é um dos destaques do evento que está movimentando São José de Ribamar desde a última quarta-feira. Depois de assistir a várias discussões sobre literatura e artes, o público participante tem a oportunidade de conferir, sempre a partir das 16h30, grandes títulos que estão sendo disponibilizados por várias editoras e livrarias do Maranhão.
O carro-biblioteca também está presente na Praça da Basílica, levando bons títulos às crianças e adolescentes ribamarenses e visitantes.
Nesta edição do festival, oito estandes foram montados. Estão presentes no evento as livrarias Paulus, Nobel, Vozes, Paulinas e Prazer de Ler. As editoras que estão marcando presença no Festival Geia de Literatura são FTD, Ática e Scipione. Todas com um único propósito: contribuir para a formação de leitores.
No estande da livraria e editora católica Paulinas, que participa do evento pela segunda vez, livros da linha de evangelização destinados a crianças e educadores em geral, seja pais ou professores. “Nossa maior intenção, assim como a do festival, é estimular a leitura em pessoas de todas as idades, pois só assim podemos formar cidadãos honestos, comprometidos, conscientes do seu papel na sociedade. A leitura precisa ser mais prestigiada no estado. Esse é o caminho para formar os cidadãos de amanhã”, diz a irmã Maria da Glória, uma das diretoras da livraria e editora.
A Paulinas disponibilizou cerca de 400 títulos que tratam de assuntos diversos, mas o enfoque principal será a literatura infantil. O destaque fica por conta dos títulos Bico Calado Assunto Encerrado, de Hugo Ribeiro de Almeida, Na Boca do Mundo, de Lenice Andrade, e Vovó, de Cláudio Martins. “São livros novos, voltados para crianças e para educadores. São lições que serão levadas para a toda a vida dos ‘novos leitores’. Todos são ricos em ilustrações para que despertem a atenção dos pequenos”, diz irmã Maria da Glória.
Os best sellers e clássicos da literatura brasileira poderão ser encontrados no estande da livraria Nobel. O Código da Vinci, de Dan Brown, e livros de Rubem Fonseca, Cecília Meirelles, Lima Barreto, Josué Montello, José de Alencar, entre outros, estarão disponíveis para o público que comparecer à feira. Ao todo, são 140 títulos. “Temos um leque bem diversificado: são livros infantis, regionais, didáticos, de auto-ajuda, poesia, entre outros, todos relacionados com a proposta do festival”, diz Soraya Rodrigues, assistente administrativa da livraria.
Segundo ela, a procura pelas publicações tem sido muito boa ao longo dos dois dias do festival. “Ano passado tivemos uma boa receptividade e este ano não está sendo diferente. Nossa expectativa é ultrapassar os números de 2005. Até agora está bom”, avalia Soraya Rodrigues. Entre os lançamentos levados à cidade balneária, estão Almanaque Anos 70, Mil Lugares para Conhecer Antes de Morrer, de Ana Maria Bahiana, e O Batismo de Sangue, de Frei Beto.
A Editora FTD está apostando nos livros infanto-juvenis e nos clássicos. São 300 títulos para o público escolher. “Levamos muitos livros novos, os mais recentes, para que todos conheçam nossas coleções. Publicações voltadas para os professores também poderão ser encontrados no nosso estande. Nossa intenção maior é estimular a leitura”, diz Sebastião Silva, representante da editora. A maior procura, de acordo com ele, tem sido pelos livros infantis. A livraria Prazer de Ler levou cerca de 500 títulos para São José de Ribamar.
PROGRAMAÇÃO
Hoje é o último dia do Festival Geia de Literatura. Para fechar o evento em grande estilo, a programação conta com a palestra Alfabetização e Literatura Infantil, com as educadoras Joelma Reis Correia e Marise de Castro Silva Rosa, que acontece às 10h, na Unidade Escolar Diomedes da Silva Pereira. No mesmo horário, na Igreja de São José de Ribamar, acontece a palestra Leitura: Uma Ação Verbal e Não-Verbal, com Maria José Nelo, Mekaele Frota do Vale e Tereza Cristina Azevedo.
Já no Restaurante Miramar, também às 10h, acontece a palestra A Literatura na Construção Social da Criança, com Kilza Fernanda Viveiros. E, no início da noite, às 19h, a atração é o debate Literatura Maranhense X Literatura do Maranhão, que terá como conferencista Sebastião Moreira Duarte e como debatedores Joaquim de Oliveira Gomes e Vanda Rocha.
Jornal O Estado do Maranhão

Geral

25/08/2006

História e fantasia marcam Festival Geia
O segundo dia do evento na cidade de São José de Ribamar encantou o público infantil com poesia, música e teatro

Nívia Lins
Da equipe de O Estado

O segundo dia do Festival Geia de Literatura, ontem, que acontece na cidade de São José de Ribamar, contemplou poesia, música, teatro, literatura, realização de oficinas, lançamento de livro e a presença de palestrantes que abordaram temas variados. O evento, que será encerrado hoje, tem reunido estudantes, professores e interessados em literatura.
Os amantes da literatura infanto-juvenil puderam desfrutar de dois momentos de história e fantasia. Na Unidade Escolar Diomedes da Silva Pereira, durante a parte da manhã, o público viajou nas aventuras de Rafael e Touchê, personagens criados pelo escritor maranhense Wilson Marques, no livro Touchê e o Segredo da Serpente Encantada.
Na presença do autor, a Companhia Tapete Criações Cênicas encenou sua mais nova montagem teatral baseada no livro infantil, que já foi adotado em várias escolas da capital. “É sempre muito prazeroso apresentar obras tão importantes para a literatura infantil, como a do Wilson Marques. E o mais engraçado é que sempre é uma grande surpresa quando trabalhamos com o público infanto-juvenil. Prova disso foi o que aconteceu agora pouco, quando chamamos uma criança para fazer a história e ela acabou dando um novo final para a obra. A interação e essa liberdade de construção são muito importantes para o desenvolvimento lingüístico da criança”, destacou Renata Figueiredo, atriz da Companhia.

obra
Wilson Marques, após assistir ao espetáculo com a garotada, conversou com o público sobre a construção da história e seus personagens. O escritor aproveitou para destacar a importância da adaptação literária. “É muito enriquecedor para um autor ver sua obra tomar outras linguagens, o que facilita sua divulgação e o contato com o público”. Sobre a iniciativa do Festival em possibilitar interfaces entre as diferentes linguagens culturais, Wilson Marques declarou: “Os idealizadores, coordenadores e colaboradores do Festival Geia de Literatura estão de parabéns pelo projeto, pois é fundamental a formação de leitores, e através de festivais como este, podem ser descobertos tanto bons escritores como exímios leitores”.
O estudante Luís Felipe, de 7 anos, esforçando-se para ver melhor, no fundo do pátio lotado da Unidade Escolar Diomedes da Silva Pereira, contou o que mais gostou na peça infanto-juvenil. “Gostei muito da serpente, e eu não fiquei com medo dela”, disse o garoto.

imaginação
No período da tarde, a partir das 15h30, a criatividade e imaginação voltaram à cena, com Uma história para as crianças de São José de Ribamar, criada e contada pela escritora Arlete Nogueira da Cruz. A história, voltada para crianças de oito anos, destacou a relação desenvolvida no seio escolar, onde personagens como professores, pais e crianças estabelecem um relacionamento mútuo.
“O diálogo versa em torno da necessidade que observo em envolver a família e a escola. A família tem o equipamento da tradição. Já a escola trabalha com instrumentos modernos e nesta perspectiva as conquistas advindas da modernidade vão se acrescentando à experiência da tradição familiar”.
Sobre o evento, a escritora endossou: “Este evento é de extrema importância, principalmente diante da globalização, onde vemos várias crianças não fazendo uso da leitura. Essa iniciativa contribui para incentivar no jovem o gosto pela literatura, para que ele possa viver e atuar em seu tempo”.
Jornal O Estado do Maranhão

Geral

25/08/2006

Responsabilidade social e equilíbrio do meio ambiente

No ginásio do Patronato de São José de Ribamar, a temática abordando a problemática ambiental também foi outro destaque do dia de ontem, através da palestra “Sustentabilidade, desenvolvimento social e reciclagem: Quanto vale aquilo que ‘não tem valor’?”, com Domingos Campos Neto. O gerente de Meio Ambiente e Segurança do Trabalho conseguiu convencer os estudantes sobre a importância do envolvimento das crianças em atividades de estímulo e proteção da natureza, como forma de garantir a responsabilidade social e equilíbrio ambiental.
Trabalhando com assuntos como reciclagem, doenças causadas pela poluição, alternativas econômicas para o lixo e capazes de melhorar a qualidade de vida da população, Domingos Campos Neto buscou analisar, com as crianças e adolescentes, os valores tangível e intangível da preservação ambiental.
“O valor tangível é aquele que pode ser mensurado. Nessa perspectiva, seria o valor econômico que se pode obter com a reciclagem, com cooperativas de saneamento e outros. Já os intangíveis são os mais importantes, ou seja, são aqueles relacionados ao prazer do conhecimento ecológico, da ajuda em construir nesses alunos uma cadeia de valor equilibrada e consciente sobre a sustentabilidade e a conservação ambiental”, destacou.
Eliane Torres da Rocha, 13 anos, que durante a palestra registrava tudo em seu caderno atentamente, falou da contribuição do evento para seu aprendizado.

teatro
Já na Igreja de São José de Ribamar, na parte da tarde, os artistas Sandra Cordeiro, Silvana Cartágenes, Chico Nô e Cibica encenaram o espetáculo teatral As Filhas do Mangue, que aborda o conflito entre a devastação ambiental e a conscientização ecológica. A peça busca conscientizar o público sobre a riqueza da biodiversidade do manguezal, sua importância para as comunidades litorâneas e alertar para os impactos ambientais causados pela exploração humana.
“O espetáculo aborda as agressões ambientais, principalmente relacionadas com o mangue, mas esta temática é mundial. Por isso a necessidade de explorá-la de forma educativa e reflexiva”, contou a bonequeira Sandra Cordeiro, que dividiu o palco com cinco bonecos, confeccionados por Fortunata Ene.
Os estudantes tiveram a oportunidade de transformar fantasia em realidade durante a oficina Fábrica de Brinquedo, realizada no turno vespertino, que teve como oficineiras Raquel Pavão Rocha, educadora ambiental, e a pedagoga Joucemiler Gaspar. “Através de sucata, de matérias recicláveis como garrafas pet, e também de materiais como o papelão, os alunos poderão exercitar a criatividade e refletir sobre sustentabilidade, preservação ambiental, impactos ambientais e assim transformar o lixo em luxo”, destacou Raquel Rocha. (N.L.)
Jornal O Estado do Maranhão

Geral

25/08/2006

Universo poético abordado em palestras

Uma viagem pelo universo poético foi criada por várias vozes literárias durante o segundo dia de encontro com a literatura e todas as suas vertentes. No Restaurante Miramar, a poesia foi abordada em duas palestras: às 10h, com o professor José Ribamar Neres falando sobre Aspectos sociais da poesia maranhense contemporânea, e Antônio Martins de Araújo – vindo do Rio de Janeiro especialmente para a segunda edição do Festival Geia de Literatura – trabalhando o tema Mistérios da poesia.
José Ribamar Neres analisou com os estudantes textos literários de grandes autores maranhenses, como Ferreira Gullar e José Sarney e situou as obras no cenário social em que foram escritas. O membro da AML, Antônio Martins de Araújo, considerado um dos maiores pesquisadores da Língua Portuguesa, também interagiu com a platéia e recitou para os alunos e comunidade cerca de 180 haicais – poemas japoneses compostos de três versos – dos séculos XVII, XVIII e XIX de vários poetas, principalmente de Issa e Bashô, que falam sobre o deslumbramento pelos mistérios da vida e pelas quatro estações do ano. “É preciso mostrar para nossas crianças e jovens que a poesia não é somente rima e métrica, mas também mensagem e informação. Desde a infância, já entramos em contato com a poesia, através das músicas de ninar. Quando vamos crescendo, temos contato com a poesia sacra, nas orações. Diante disto, não tem como refutar a idéia de que a poesia é vida, sonho, arte e catarse”, poetizou o escritor e autor do livro Chão do Tempo.

LANÇAMENTO
Ao cair da noite, tendo ao fundo o canto do Coral Antônio Rayol que se apresentava na Igreja de São José de Ribamar, foi lançado o livro Oficina de Criação Literária, coordenado pelas professoras Maria de Fátima Sopas Rocha e Conceição de Maria de Araújo Ramos. O trabalho desenvolvido durante a 1ª edição do Festival Geia de Literatura, foi resultado da Oficina de Criação Literária, onde participaram alunos do ensino fundamental da rede pública, com idade entre 10 a 15 anos.
A solenidade reuniu o prefeito Luís Fernando Silva, o presidente do Instituto Geia, Jorge Murad, as coordenadoras do projeto e os alunos-autores que tiveram suas produções literárias publicadas.
Jorge Murad destacou a importância da publicação para incentivo à criação e produção literária do aluno-ouvinte, leitor e escritor. “Este trabalho serve como estímulo para todos esses alunos, que poderão ver refletidas nesta publicação suas produções”. A coordenadora Conceição de Maria de Araújo Ramos falou da emoção de coordenar um trabalho de grande importância para o evento e principalmente para os alunos envolvidos. “A emoção é muito grande em ver o resultado do trabalho de apenas três dias se transformar em uma belíssima obra. É muito mais emocionante ver a felicidade dessas crianças e adolescentes que produziram esta obra do que se fôssemos nós os autores”, frisou a coordenadora.
A estudante Mariane Sousa Dias, 15 anos, era só felicidade ao receber seu primeiro livro. “Não tenho palavras para descrever minha felicidade. Foi uma surpresa para todos nós. Não sabíamos da existência do livro”, declarou.
A segunda noite literária foi marcada pelo debate que teve como tema Filosofia, Leitura e Literatura, com a professora e imortal Sonia Almeida e debatedores Joseane Maia, Beatriz Sabóia, Margarida Patriota e Joaquim de Oliveira Gomes. (N.L.)
Jornal O Estado do Maranhão

Geral

26/08/2006

Literatura é tema de mesa-redonda

No início da noite, às 19h, a atração de encerramento da 2ª edição do Festival Geia de Literatura foi o debate Literatura Maranhense X Literatura do Maranhão, que teve como conferencista Sebastião Moreira Duarte e como debatedores Joaquim de Oliveira Gomes e Vanda Rocha. A mesa-redonda buscou refletir sobre a questão da literatura maranhense, a literatura no Maranhão e do Maranhão.
“O objetivo não é chegar a um consenso, até porque não existe, é uma questão aberta, mas é necessário dialogarmos sobre o que faz maranhense a literatura? O que chamamos de literatura? Entre outros questionamentos”, revelou o membro da AML, Sebastião Moreira Duarte.

CAPACITAÇÃO
A programação do Festival Geia de Literatura também foi espaço de construção e reformulação de conhecimentos para os docentes. Alicerçado na proposta de formação continuada, o evento proporcionou aos professores novas experiências educacionais. A professora de Lingüística e Português da UFMA, Teresinha de Jesus Baldez e Silva, desenvolveu duas oficinas durante os três dias de evento.
Com os temas Noções de lingüística e de literatura para trabalho com o texto na sala de aula e O texto literário na sala de aula: reflexões sobre a abordagem do livro didático, a professora explicou a necessidade do festival no que tange o trabalho docente. “Essas oficinas permitem levar os professores a refletir sobre a sua prática cotidiana e instrumentando-os a partir de noções básicas de lingüística e literatura, além de ajudar os professores a trabalharem com o texto em sala de aula, através do livro didático sobre uma abordagem do texto literário”, definiu Teresinha Baldez e Silva.
Durante a oficina Biblioteca e Pesquisa Escolar, realizada às 15h30, na Biblioteca Pública, a bibliotecária Leoneide Martins destacou a pesquisa como instrumento facilitador do processo de produção de conhecimento. “A biblioteca é um laboratório que possibilita ao professor o acesso a informação e às fontes de pesquisas. Não há como melhorar a educação brasileira sem a formação continuada dos nossos professores”. No fim da tarde, às 17h, Leila Lauar Sarmento palestrou para professores sobre a análise de textos e a didática no ensino de sala de aula.

VISITANTES
A festa literária, que abrilhantou ainda mais a cena cultural do estado, teve a participação ativa de estudantes, professores, intelectuais, escritores, poetas, atores, comunidade e visitantes, que fizeram questão de prestigiar o evento. “O Festival Geia de Literatura tem uma contribuição inestimável para as crianças e jovens que precisam desde tenra idade cultivar o amor à literatura”, comentou o poeta Nauro Marchado, que prestigiou o evento.
A cantora ribamarense Tereza Cantu também marcou presença no festival. A artista graduada em letras destacou a importância do evento para o mundo artístico e para a formação integral da criança. “Como artistas, nós precisamos estar sempre acompanhando projetos que incentivem a esfera cultural em todas as suas dimensões. E para esses jovens, a proposta do festival é louvável, uma vez que permite sua ampliação de horizontes e o contato com os autores de obras que eles têm contato no universo escolar”.

FEIRA DE LIVROS
A grande pedida de muitos leitores após um dia inteiro de programação foi visitas aos estandes instalados na Praça da Basílica. O público pôde pesquisar, conferir lançamentos e apreciar a boa literatura, sempre a partir das 16h30. A Feira de Livros atraiu a atenção de muitos estudantes que na maioria das vezes faziam suas primeiras impressões sobre o conteúdo das obras no local.
Foram disponibilizados oito estandes, de editoras e livrarias do Maranhão. Estiveram presentes no evento as livrarias Paulus, Nobel, Vozes, Paulinas e Prazer de Ler e as editoras FTD, Ática e Scipione. O vendedor Osvaldino Neto, da FTD Editora, destacou o interesse da empresa em contribuir para a formação de leitores. “O mais importante é possibilitar às crianças o acesso ao livro”.
Jornal O Estado do Maranhão

Geral

26/08/2006

Festival literário se despede de Ribamar
Durante três dias, a cidade foi presenteada com uma grande diversidade cultural, destacando-se oficinas, palestras e debates

Nívia Lins
Da equipe de O Estado

A cidade balneária de São José de Ribamar, distante 31 km de São Luís, se despediu ontem da 2ª edição do Festival Geia de Literatura, evento pioneiro no estado. Durante os três últimos dias, o festival literário reuniu oficinas, palestras, debates, feira de livros e atrações culturais. Repetindo o sucesso da primeira edição, o evento contagiou a cidade ribamarense com letras, palavras, livros e cultura. Foram numerosas e diversificadas as atividades realizadas nas manhãs, tardes e noites da última quarta, quinta e sexta-feira.
Na parte da manhã, a partir das 10h, a atriz Gisele Vasconcelos deu vida ao mundo das narrações literárias no espetáculo Fábulas e Contos Populares. Montado pela Companhia Tapete Criações Cênicas, a dramatização utilizou a figura do contador de causos para apresentar aos estudantes quatro histórias populares: Sopa de pedra, O Macaco e a Velha, Feliz Aniversário, Lua e O boi, a vaca e o bolo. “O contador dá vida as histórias através da interação com o ouvinte. Essa iniciativa estimula tanto o aspecto cognitivo quanto afetivo da criança, fazendo com que ela desenvolva a concentração, o tempo pro silêncio e a criatividade”, explicou Gisele Vasconcelos.

palestra
No mesmo horário, na Igreja de São José de Ribamar, ocorreu a palestra Leitura: Uma Ação Verbal e Não-Verbal, com Maria José Nelo e Mekaele Frota do Vale. Trabalhando com a leitura na perspectiva do autor, leitor e do texto, através de escrituras de circulação nacional como textos extraídos da Internet, jornais, propagandas, de livros literários e quadrinhos, a palestra destacou os diversos gêneros discursivos. “O estudante precisa saber que todo texto tem sua intencionalidade, seja verbal ou não-verbal, e é essa intenção que aproxima a linguagem do ouvinte ou leitor”, disse Mekaele Frota do Vale.
Já no Restaurante Miramar, também às 10h, aconteceu a palestra A Literatura na Construção Social da Criança, com Kilza Fernanda Viveiros. “A literatura constrói o ser humano social. A infância deve ser analisada como construção cultural, e para que se possa entender que cada criança tem uma referência de vida”, declarou em sua palestra a pedagoga Kilza Fernanda Viveiros.

LITERATURA
Às 15h30, o evento teve sua programação reiniciada com uma série de palestras proferidas por artistas ribamarenses, no Patronato São José de Ribamar. Marli de Jesus Conceição ministrou a primeira palestra, Fundação da cidade de São José de Ribamar, que abordou o surgimento de São José de Ribamar com os índios gamelas – primeiro habitantes da cidade -, e discutiu com os alunos o patrimônio religioso e o contexto político da cidade balneária. Leitura de poesia ecológica teve como mediadora a escritora Raimunda Frazão que declamou poesias de sua autoria e recitou o poema São José de Ribamar – a cidade, feita especialmente para o evento.
Com o tema Texto é música, cor e movimento, o doutor em Educação João de Deus foi o terceiro a se apresentar fazendo uma performance que retratou a música, cores, movimentos e textos da escritora Arlete Nogueira da Cruz.
“É preciso explorar nos alunos o caráter pedagógico educativo da imagem, sua dimensão simbólica”, destacou o professor. Por último, para sustentar a atenção dos alunos, a diretora da escola municipal Diomedes da Silva Pereira, Maria da Glória, apresentou o espetáculo Juntando Pedaços.

poemas
Geane Ferreira de Sousa no mesmo horário, analisou poemas do escritor José Chagas, com destaque para a obra Os Telhados. Já o crítico teatral Ubiratan Teixeira discutiu com alunos a arte de fazer teatro, no Restaurante Miramar.
“Vou conversar com os alunos sobre o processo de fazer teatral, sua função para a sociedade e seu peso na cultura de um povo”, adiantou o dramaturgo, que se apresentou pela segunda vez no Festival.
Ubiratan Teixeira demonstrou sua satisfação em participar do evento. “É uma bênção este projeto literário, tanto para a comunidade como para nós, palestrantes”, disse o também diretor.
Jornal O Estado do Maranhão

PH Revista

27/08/2006

Ausência

Na programação da segunda edição do Festival Geia de Literatura, realizado neste final
de semana em Ribamar, estavam marcadas palestras dos intelectuais Jomar Moraes, José Chagas e Luis Augusto Cassas.
O primeiro faria duas conferências, uma sobre Nina Rodrigues e outra a respeito
dos centenários de Bacelar Portela e Luiz Rego. O segundo falaria sobre a sua própria poesia. O terceiro, dissertaria acerca da Poesia: uma jornada da alma.
Como a bruxa anda solta nos meios intelectuais, os três escritores, por motivo de saúde, não tiveram condições de participar do evento cultural.
Jornal O Estado do Maranhão

Opinião 27/08/2006

O Festival Geia de Literatura

Ceres Costa Fernandes

Desde 2005, que o mês de agosto não traz apenas os ventos gerais para nossa Ilha. Um vento diferente e alvissareiro trazendo boas novas para as letras sopra em toda Upaon-Açu, e agita, mais especificamente, a cidade milagreira de São José de Ribamar, cidade do carnaval fora de época, do peixe-pedra fresquinho, das romarias e festas do padroeiro e agora também do fazer literário. É o Festival Geia de Literatura – 2ª edição.
Seja a cidade-memória de doces momentos da juventude, alvo das recordações de várias gerações que ali passaram suas férias, quando São José era apenas a cidade balneária dos nossos desejos, com casinhas agrupadas ao redor da igreja ou corcoveando nas ruelas próximas e um grande número de aprazíveis sítios de famílias abastadas espraiando-se mais além; seja a urbe moderna de hoje com seus milhares de habitantes, Ribamar é sempre uma cidade com vocação para festas e alegria, conforme se vê.
Festival quer dizer festivo, grande festa. A festa literária, e agora também artística, está no lugar certo, na festeira cidade de Ribamar. E foi mesmo uma comemoração lúdica, o que aconteceu nesses três dias – 23, 24 e 25 – de agosto. Vimos a cidade inteira participando do Festival Geia: palestras, oficinas de literatura, balé, teatro, debates, leituras, feira de livros; tudo isso acontecendo na praça, na praia, na igreja, no Patronato, no ginásio coberto, nas escolas, nos restaurantes, em todo lugar onde houvesse um ambiente propício para agitar a cultura literária e a arte.
E lá estava eu, em meio a essa efervescência, num salão arejado do Patronato – aquele das freirinhas ao lado da igreja – tentando apresentar crônica literária a um auditório extremamente desigual: enchiam a sala desde crianças da sexta série a alunos e professores universitários. Que fazer? Reduzir a complexidade da apresentação para atingir preferencialmente os pequenos, e frustrar acadêmicos e professores presentes, ou elevá-la e deixar os pequenos enfarados, maldizendo a literatura em geral e a crônica em particular?
O público previsto era de meninos da sétima e oitava séries. Antes da palestra, perguntei a eles o que sabiam sobre crônica e literatura. Todos os abordados negaram qualquer conhecimento a respeito, mas alguns, paradoxalmente, disseram gostar de escrever, sem saber dizer o que escreviam. Mostrei a eles que talvez depois daquela palestra pudessem descobrir que estavam escrevendo crônicas, que nem o Monsieur Jordan, o Burguês Fidalgo de Molière, que passou a vida inteira falando em prosa sem disso se aperceber.
Decidi satisfazer, primordialmente, os pequenos, sem subestimá-los – que há surpresas -, com algumas referências extras para os mais doutos. E foi uma boa decisão. Um verdadeiro deleite, observar a interação das crianças e a literatura. A rápida intimidade com os textos, lidos em voz alta: a crônica de prosa poética de Affonso Romano – que nos fez chegar à poesia de Gonçalves Dias, ruidosamente recitada – e a crônica narrativa de Rubem Braga, maior representante do gênero no Brasil. Esta última, causa de aplausos e vivório da criançada.
Uma criança (ou até um adulto), que descobre o prazer do texto, parafraseando o semiólogo Roland Barthes, é alguém que poderá caminhar sozinho na busca do saber. É isso que queremos, professores de língua e literatura, formar leitores, e também é esse o objetivo maior do Festival Geia de Literatura. Vida longa ao Festival!

Mestra em Literatura e membro da Academia Maranhense de Letras
E-mail: ceresfernandes@elo.com.br